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Rússia intensifica ofensiva contra logística ucraniana e sofre recorde de ataques a refinarias
Os ataques russos contra a Ucrânia atingiram novos patamares de intensidade entre 11 e 13 de setembro de 2026, com ofensivas contra portos, ferrovias e instalações industriais. Segundo o Portal Portuario, o Ministério da Defesa da Rússia afirmou que suas forças continuavam atacando a infraestrutura portuária ucraniana. Um navio cargueiro foi atingido em Odesa, enquanto outras duas embarcações haviam sido atacadas horas antes no porto de Chornomorsk. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que a Rússia lançou quase 500 drones contra alvos na Ucrânia desde as primeiras horas da manhã de 13 de setembro.
A Bloomberg informou, em 13 de setembro, que as forças russas empregaram mísseis de cruzeiro lançados do mar, mísseis balísticos e 129 drones em ataques realizados naquele dia. Segundo dados preliminares das autoridades ucranianas citados pela publicação, as defesas aéreas derrubaram ou neutralizaram 110 alvos aéreos.
Pelo menos 17 pessoas ficaram feridas em Odesa, de acordo com Serhiy Lysak, chefe da administração militar regional. Um edifício residencial de vários andares também foi danificado.
Dois dias antes, em 11 de setembro, forças russas realizaram uma ofensiva noturna contra centros logísticos e portos. Entre os locais atingidos estavam o centro de dados B-Mobile, em Kiev, um centro logístico em Hostomel, na região da capital, um terminal da empresa Nova Poshta, em Khmelnytskyi, e outro centro logístico em Dnipro. Segundo o Ministério da Defesa russo, foram utilizadas armas aéreas de alta precisão e drones de ataque. O governador regional de Odesa, Oleh Kiper, informou que cerca de 40 pessoas ficaram feridas nos ataques.
Em 17 de agosto, um ataque russo no distrito de Izmail, onde está localizado um importante porto ucraniano no rio Danúbio, danificou uma embarcação civil com bandeira do Togo e deixou quatro pessoas feridas, segundo reportagem do Times Brasil. O Ministério da Defesa russo afirmou, na ocasião, ter atacado um terminal utilizado para cargas militares, hangares com equipamentos e depósitos de drones navais. A informação corresponde à versão apresentada pelo governo russo sobre os alvos da ofensiva.
No domingo, 13 de setembro, um drone russo atingiu um trem de passageiros ucraniano na estação de Yahodyn, a cerca de dois quilômetros da fronteira com a Polônia. O trem transportava 206 passageiros na rota entre Kiev e Varsóvia e não houve registro de vítimas, de acordo com a RFI.
O ataque ocorreu pouco depois da passagem pela estação de um trem que transportava o ex-primeiro-ministro britânico Boris Johnson e outras autoridades europeias.
O ex-diretor da CIA David Petraeus estava em Yahodyn no momento do ataque, em outro trem que permanecia na estação, segundo a CNN Brasil. A operadora ferroviária ucraniana afirmou considerar "bastante provável" que o drone tivesse como alvo deliberado o trem que transportava as autoridades.
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, declarou que o episódio representava "o terror de Putin batendo diretamente nas portas da UE e da OTAN".
O Ministério da Defesa russo afirmou que suas forças atacavam instalações ferroviárias no oeste da Ucrânia utilizadas para transportar cargas militares provenientes de países europeus, segundo a agência estatal russa TASS. A declaração representa a versão apresentada por Moscou sobre os objetivos dos ataques.
Zelensky afirmou que o trem foi atingido deliberadamente e que a Rússia mantém uma campanha sistemática contra o sistema ferroviário ucraniano, segundo a RFI. Estimativas da AFP reproduzidas pela RFI indicam que as ofensivas contra setores considerados estratégicos podem reduzir o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da Ucrânia em 1,5 ponto percentual em 2026.
Enquanto a Ucrânia enfrenta ataques contra sua infraestrutura, a Rússia também sofre ofensivas contra instalações energéticas. Os ataques ucranianos contra refinarias russas atingiram um pico em agosto de 2026, com pelo menos 21 incidentes registrados naquele mês, o maior número mensal desde o início da invasão.
De acordo com a publicação, o processamento das refinarias russas caiu para aproximadamente 3,8 milhões de barris por dia, diante de um volume típico de verão entre 5,3 milhões e 5,5 milhões de barris diários. A produção de gasolina teria recuado quase 20%, enquanto a de diesel teria diminuído mais de 23%.
A Rússia passou a utilizar contêineres marítimos empilhados ao redor de algumas refinarias como barreira contra drones que voam em baixa altitude.
Imagens da refinaria de Novoshakhtinsk mostram contêineres instalados em diferentes níveis ao redor de tanques e outros equipamentos. Segundo a publicação, porém, a eficácia dessas estruturas ainda não foi demonstrada, e instalações expostas pela parte superior continuam vulneráveis.
O impacto dos ataques também aumentou a necessidade russa de importar combustíveis. Segundo dados do Centre for Research on Energy and Clean Air, a Rússia importou 172 mil toneladas de derivados de petróleo em agosto de 2026, volume superior a sete vezes o recorde mensal anterior registrado desde o início da invasão.
O montante também corresponde a aproximadamente três vezes as importações russas realizadas durante todo o ano de 2025, segundo a mesma fonte. A Índia respondeu por 70% dessas importações e por 94% da gasolina adquirida pela Rússia no exterior.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu publicamente a Zelensky que interrompesse os ataques contra a infraestrutura russa de diesel. Trump argumentou que as ofensivas estavam afetando outros países em um momento de alta dos preços dos combustíveis.
As Forças de Sistemas Não Tripulados da Ucrânia também afirmaram ter atingido a Togliattikauchuk, produtora de borracha sintética localizada na região russa de Samara.
A Ucrânia alegou que a instalação, além de produzir materiais utilizados na fabricação de pneus e outros produtos industriais, fornece componentes empregados em combustíveis de alta octanagem e borracha sintética utilizada na produção de propelentes sólidos para mísseis.
FUP Explica
A escalada simultânea de ataques a portos, ferrovias e refinarias marca uma mudança de intensidade no conflito que tem consequências diretas para o comércio internacional de energia e alimentos. Do lado russo, a queda de 30% na capacidade de refino e a transformação do país em importador líquido de combustível em agosto de 2026 são dados que pressionam os preços do diesel no mercado mundial, como já se vê nos EUA, onde o galão passou de 6 dólares. Isso encarece o transporte de cargas em escala internacional e pode afetar custos de frete em rotas que nada têm a ver diretamente com o conflito.
A navegação no Mar Negro segue severamente prejudicada para ambos os lados, o que mantém a pressão sobre exportações de trigo, óleos vegetais, fertilizantes e carvão. O ataque ao trem próximo à fronteira polonesa adiciona uma camada de risco à rota ferroviária que a Ucrânia usa como alternativa ao transporte marítimo, justamente o corredor que ganhou relevância depois que os portos de Odesa passaram a operar sob ameaça constante. Se essa rota for sistematicamente atacada, a Ucrânia perde mais uma válvula de escoamento de sua produção agrícola.
Politicamente, o episódio do trem com Boris Johnson e David Petraeus a bordo eleva o risco diplomático: um acidente com autoridades ocidentais poderia forçar respostas mais duras da Europa e da OTAN. O pedido de Trump para que a Ucrânia pare de atacar refinarias russas mostra que a guerra de infraestrutura já chegou ao debate político interno dos EUA, criando tensão entre o apoio declarado a Kiev e os efeitos econômicos sentidos pelos americanos nos postos de gasolina.
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