
Porta-contêineres perde controle e fica 11 horas encalhado na Índia
O porta-contêineres Nawata Bhum encalhou na margem do rio Hooghly, em West Bengal, na Índia, após apresentar uma falha no sistema de direção enquanto se dirigia ao Porto de Syama Prasad Mookerjee, em Calcutá. A embarcação ficou presa por aproximadamente 11 horas antes de ser liberada por rebocadores, por volta das 22h30 da quarta-feira (12).
Dados de rastreamento mostram que o navio fez uma curva à direita ao norte de Latpatia por volta das 10h26, no horário local. Durante os cerca de 40 minutos seguintes, a embarcação manteve curso relativamente estável até atingir a margem do rio próximo a Diamond Harbour, por volta das 11h05.
Vídeos publicados em redes sociais mostram o navio carregado de contêineres seguindo diretamente em direção à margem, sem aparentar reduzir a velocidade ou alterar o curso. A buzina soava repetidamente enquanto a embarcação se aproximava, até que a proa ficou presa no talude.
A suspeita inicial é de uma falha no sistema de direção, que teria travado e impedido a manobra da embarcação. As fortes correntes do rio também podem ter contribuído para o incidente. O piloto contatou a Autoridade Portuária de Syama Prasad Mookerjee imediatamente após o ocorrido para relatar a situação.
Operação de resgate e danos
Rebocadores foram enviados ao local e aguardaram a maré alta para tentar reflutuar o navio. A operação teve êxito por volta das 22h30 do dia 12 de agosto. Na manhã do dia 13, dois rebocadores permaneciam acoplados à embarcação próximo a Diamond Harbour, que estava registrada como “fundeada".
A Autoridade Marítima e Portuária de Singapura (MPA) confirmou que nenhum dos 22 tripulantes se feriu e que não houve registro de poluição. Também não havia outras embarcações no caminho imediato do navio no momento do incidente. A estrada ao lado do talude estava deserta, e os danos visíveis ficaram restritos à vegetação da margem.
O Nawata Bhum, de bandeira de Singapura, havia partido do Porto de Port Klang, na Malásia, em 3 de agosto. Construído em 2008, o porta-contêineres tem 148 metros de comprimento, 23 metros de largura e capacidade de carga de 13.852 toneladas de peso morto, de acordo com dados do MagicPort. A embarcação é operada pela empresa tailandesa Regional Container Lines e gerenciada pela RCL Shipmanagement Pte Ltd.
A MPA conduzirá uma investigação sobre o incidente na condição de autoridade de bandeira do navio, com base na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar.
A autoridade singapuriana já realizou uma apuração semelhante após o navio Dali colidir com a Ponte Francis Scott Key, em Baltimore, nos Estados Unidos, em 26 de março de 2024. Na ocasião, a investigação buscou verificar possíveis infrações aos requisitos da Lei de Navegação Mercante, segundo o AsiaOne.
FUP Explica
O encalhe do Nawata Bhum não causou vítimas nem poluição, mas o episódio levanta uma questão que vai além deste caso específico: a confiabilidade dos sistemas de direção em navios que navegam por rios com correntes fortes e espaço de manobra reduzido.
O rio Hooghly é uma das rotas de acesso ao Porto de Calcutá, e incidentes desse tipo em canais fluviais tendem a ser mais críticos do que em mar aberto, justamente porque há menos margem para correção de rota.
A abertura de investigação pela MPA segue o mesmo caminho adotado no caso do Dali em Baltimore, o que indica que a agência trata o episódio com seriedade institucional, mesmo sem vítimas. O resultado dessa apuração pode gerar recomendações sobre manutenção de sistemas de manobra e protocolos de navegação fluvial, com potencial reflexo para outros operadores que usam rotas similares.
A Regional Container Lines e a RCL Shipmanagement também podem enfrentar questionamentos sobre o estado de conservação da embarcação, que foi construída em 2008 e já acumula quase duas décadas de operação.
Para o Porto de Calcutá, o incidente reforça a vulnerabilidade logística de acessos fluviais: qualquer bloqueio prolongado nesse trecho do Hooghly teria potencial para atrasar operações portuárias em cadeia. Desta vez o navio foi liberado em menos de 12 horas, mas a dependência de maré alta para o resgate mostra como a margem de tempo nesse tipo de situação é estreita.





