Brent supera US$ 111 por barril, enquanto moedas operam com pequenas variações e investidores acompanham tensões políticas na Europa
O petróleo avançou nesta terça-feira (20), com o Brent atingindo o maior preço em cinco meses, enquanto investidores incorporavam às negociações o risco de interrupções na oferta após relatos de ataques a embarcações no Golfo e anúncios de ofensivas houthis contra instalações sauditas. Ao mesmo tempo, o mercado de câmbio apresentava movimentos discretos no início das operações asiáticas, em meio a uma recuperação moderada da disposição para assumir riscos e às preocupações com a instabilidade política na Europa.
Segundo a Reuters, os contratos futuros do Brent chegaram a US$ 111,75 por barril, o nível mais alto desde maio. Às 11h20 GMT, eram negociados a US$ 111,20, com avanço de US$ 1,65, ou 1,5%. Já o contrato de novembro do petróleo norte-americano WTI, com vencimento nesta terça-feira, alcançou US$ 110, a maior cotação desde abril para um contrato de vencimento mais próximo, antes de operar a US$ 109,08, em alta de 5,2%.
A pressão sobre os preços ganhou força depois que os houthis, grupo do Iêmen alinhado ao Irã, afirmaram ter realizado, na segunda-feira (19), ataques contra alvos energéticos, aeroportuários e militares na Arábia Saudita. Entre os locais mencionados estavam uma instalação da Aramco em Yanbu, o campo petrolífero de Shaybah e os aeroportos de Abha e Internacional Rei Khalid, em Riad. As autoridades sauditas, porém, não haviam confirmado as alegações, que também não puderam ser verificadas de forma independente pela agência.
Além disso, a empresa de monitoramento marítimo Kpler informou que pelo menos 18 embarcações teriam sido atacadas ao longo de duas semanas. Esse cenário sustentava o chamado prêmio de risco geopolítico, parcela incorporada aos preços diante da possibilidade de problemas no abastecimento. Para analistas do ING, esse componente poderia diminuir gradualmente caso os fluxos continuassem sem interrupções, embora ainda não houvesse sinais desse movimento.
As tensões também se agravaram no próprio Iêmen, onde um ataque houthi contra um campo de treinamento das forças de segurança governamentais, na província de Shabwa, deixou 58 mortos e mais de 200 feridos na segunda-feira. Paralelamente, uma pesquisa preliminar com analistas apontava expectativa de queda nos estoques norte-americanos de petróleo e derivados na semana anterior.
No câmbio, a movimentação era mais contida. Conforme reportagem publicada pelo Investing.com, o euro permanecia em US$ 1,1216, enquanto a libra avançava 0,1%, para US$ 1,3308. Os dólares australiano e neozelandês também subiam 0,1%, negociados a US$ 0,6986 e US$ 0,5668, respectivamente. Para Chris Weston, chefe de pesquisa da Pepperstone, a melhora do apetite por risco favorecia moedas associadas a estratégias que buscam aproveitar diferenças de juros.
Na Europa, contudo, os investidores acompanhavam protestos contra o governo francês, que levaram à imposição de toques de recolher em várias cidades. Na Itália, o governo anunciou o envio de 500 militares após dois dias de distúrbios. A diferença entre os rendimentos dos títulos franceses e alemães de dez anos aumentou 9,9 pontos-base na segunda-feira, para 147,3 pontos-base, enquanto o Parlamento francês se preparava para votar a seção de receitas do orçamento de 2027.
Já o dólar permanecia em 158,56 ienes, antes de um leilão de títulos japoneses de 20 anos, e em 6,6811 yuans no mercado offshore, após o banco central chinês manter os juros. O índice do dólar havia encerrado a segunda-feira em alta de 0,2%, aos 101,98 pontos, interrompendo duas sessões de queda.
FUP Explica
O que move o mercado aqui é a combinação de dois fatores que se reforçam: ataques a infraestrutura energética saudita e relatos de embarcações atacadas no Golfo. Mesmo sem confirmação oficial de Riad sobre os danos, o simples anúncio dos houthis foi suficiente para empurrar o Brent ao maior patamar em cinco meses. Isso mostra como o prêmio de risco geopolítico funciona na prática: o mercado não espera o dano ser confirmado para precificar a possibilidade de interrupção no abastecimento. Os analistas do ING, citados no texto, reconhecem que esse prêmio pode recuar se os fluxos seguirem normais, mas por enquanto não há sinal disso.
No lado econômico, preços mais altos de petróleo pressionam custos de energia e transporte em todo o mundo, com impacto direto sobre inflação e margens em setores que dependem de combustível. A expectativa de queda nos estoques norte-americanos, apontada pela pesquisa preliminar com analistas, reforça a tendência de alta ao reduzir o colchão de segurança disponível no mercado.
A instabilidade política na Europa adiciona uma camada de incerteza ao quadro. Protestos na França com toque de recolher em várias cidades e distúrbios na Itália que levaram ao envio de 500 militares indicam tensão social relevante. O aumento do spread entre títulos franceses e alemães de dez anos, para 147,3 pontos-base, sinaliza que o mercado de dívida começa a precificar risco político francês com mais atenção, especialmente com a votação do orçamento de 2027 no horizonte. Esse tipo de pressão tende a limitar a margem de manobra fiscal dos governos envolvidos e pode pesar sobre o euro a médio prazo.