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Doença de Newcastle é confirmada em granja de perus de SC e coloca exportações sob atenção
Comércio Exterior

Imagem: Terrel Shields

Doença de Newcastle é confirmada em granja de perus de SC e coloca exportações sob atenção

19/10/2026 · 866 palavras

Propriedade em Nova Itaberaba foi interditada após diagnóstico da doença; medidas sanitárias devem alcançar 133 granjas da região, enquanto governo prepara comunicação aos parceiros comerciais

A confirmação de um foco da doença de Newcastle em uma granja comercial de perus de corte em Nova Itaberaba, no Oeste de Santa Catarina, levou à interdição da propriedade e à suspensão da movimentação de aves nesta segunda-feira (19). O diagnóstico, confirmado pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo após uma investigação epidemiológica, acionou medidas de controle, contenção e erradicação na região e colocou o comércio exterior sob atenção, já que o Brasil é o maior exportador mundial de carne de frango e deverá comunicar a ocorrência aos principais mercados compradores.

As ações sanitárias devem alcançar outras propriedades próximas ao foco. De acordo com a Reuters, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, informou que as medidas adotadas afetarão 133 granjas da região. A doença de Newcastle é viral, altamente contagiosa e atinge aves, o que exige ações para impedir que o agente se espalhe para outras criações.

Segundo o UOL, a ocorrência foi identificada pelo Serviço Veterinário Oficial de Santa Catarina durante uma investigação epidemiológica e posteriormente confirmada em laboratório. Após o resultado, a granja foi interditada e a circulação de aves suspensa. As ações seguem o plano de contingência para influenza aviária e doença de Newcastle.

Apesar da confirmação do foco, o Ministério da Agricultura e Pecuária afirma que produtos avícolas submetidos à inspeção oficial continuam seguros para consumo. A doença de Newcastle é causada por um vírus que pode atingir aves domésticas e silvestres.

No comércio exterior, os possíveis efeitos ainda são incertos. O governo brasileiro prepara relatórios detalhados sobre a ocorrência e informou que compartilhará os dados relevantes com os principais parceiros comerciais. O caso também será notificado à Organização Mundial de Saúde Animal, em cumprimento aos compromissos internacionais de transparência sanitária.

Até o momento, porém, não há indicação de restrições impostas ao produto brasileiro em razão do novo foco. O secretário interino de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Rafael Requião, afirmou que ainda é cedo para apresentar informações concretas sobre possíveis suspensões de importações por países compradores.

O histórico recente ajuda a explicar a atenção sobre eventuais reflexos comerciais. Em 2024, a China, um dos principais destinos da carne de frango brasileira, impôs um embargo ao produto proveniente do Rio Grande do Sul depois da confirmação de um caso da doença de Newcastle em uma granja comercial no estado.

O episódio atual, entretanto, envolve uma granja de perus em Santa Catarina, e as informações divulgadas até agora não apontam para a adoção de embargos por parceiros comerciais. Por isso, qualquer impacto sobre as exportações dependerá das avaliações sanitárias e das decisões tomadas individualmente pelos países compradores a partir das informações fornecidas pelo governo brasileiro.

Enquanto isso, as autoridades concentram os esforços na contenção do foco e no acompanhamento das propriedades alcançadas pelas medidas sanitárias. A evolução da investigação epidemiológica e a resposta dos mercados compradores deverão determinar a dimensão dos efeitos do episódio para a cadeia avícola brasileira.

FUP Explica

O ponto central aqui é a incerteza comercial, não o risco sanitário imediato. O Ministério da Agricultura foi rápido em dizer que os produtos inspecionados continuam seguros para consumo, e o secretário Requião admitiu abertamente que ainda não há como prever suspensões de importação. Isso é honesto, mas também sinaliza que o governo não tem controle sobre o que os parceiros vão decidir, e cada país age por conta própria com base nas informações que receber.

O precedente de 2024 pesa. Quando a China embargou o frango do Rio Grande do Sul após um caso semelhante, ficou claro que um foco localizado pode gerar restrições amplas, mesmo que o produto afetado seja de uma região ou espécie específica. Agora o foco é em perus de Santa Catarina, não em frangos de corte, mas essa distinção nem sempre é respeitada pelos países importadores na hora de tomar uma decisão rápida de proteção sanitária. O risco de contágio para outras criações na região, com 133 granjas sob medidas sanitárias, é o dado que os compradores vão monitorar de perto.

No plano institucional, a notificação à Organização Mundial de Saúde Animal é obrigatória e já estava prevista, o que mostra que o Brasil segue o rito correto. A questão é se a transparência e a velocidade da comunicação serão suficientes para evitar reações preventivas dos mercados. A dimensão do impacto sobre as exportações depende, no fundo, de quanto tempo levará para conter o foco e de como cada país comprador vai interpretar as informações recebidas nas próximas semanas.

No comércio exterior, os possíveis efeitos ainda são incertos. O governo brasileiro prepara relatórios detalhados sobre a ocorrência e informou que compartilhará os dados relevantes com os principais parceiros comerciais. O caso também será notificado à Organização Mundial de Saúde Animal, em cumprimento aos compromissos internacionais de transparência sanitária.

Até o momento, porém, não há indicação de restrições impostas ao produto brasileiro em razão do novo foco. O secretário interino de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Rafael Requião, afirmou que ainda é cedo para apresentar informações concretas sobre possíveis suspensões de importações por países compradores.