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Pesquisa aponta que portos deveriam ser o principal foco de investimento
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Pesquisa aponta que portos deveriam ser o principal foco de investimento

17/08/2026·444 palavras
Pesquisa com leitores aponta infraestrutura portuária como prioridade de investimento em shipping. Análise de tendências sem impacto operacional imediato em comex.

Uma pesquisa realizada pela Container News e divulgada nesta segunda-feira (17), apontou a infraestrutura portuária como a principal prioridade de investimento para o setor. O levantamento, chamado de "Readers Speak poll", apresentou quatro opções aos respondentes: infraestrutura portuária, tecnologia de frota, cibersegurança e desenvolvimento de pessoas e competências.

Segundo o veículo, a infraestrutura portuária obteve o maior apoio geral entre os participantes, refletindo a percepção de que terminais e estruturas adjacentes continuam sendo fundamentais para a movimentação de contêineres nas cadeias de suprimento internacionais. A pesquisa não indicou uma estratégia de investimento única, mas sinalizou que infraestrutura portuária é a área que os leitores consideram prioritária.

A cibersegurança também atraiu apoio expressivo, o que indica que a segurança digital ocupa espaço relevante na agenda do setor. O desenvolvimento de pessoas e competências figurou com destaque nos resultados, sugerindo que o investimento na força de trabalho da indústria é visto como prioridade comparável às demais categorias. A tecnologia de frota recebeu menos apoio que a infraestrutura portuária, embora tenha permanecido parte do quadro de investimentos considerado pelos respondentes.

Embora a pesquisa reflita a percepção de profissionais do shipping internacional, o Brasil apresenta um movimento paralelo de expansão em infraestrutura portuária. Segundo análise da RB Investimentos, o Governo Federal prevê a realização de 35 leilões de arrendamentos portuários entre 2024 e 2026, por meio do Ministério de Portos e Aeroportos, com investimentos estimados em R$ 14,5 bilhões. Os projetos abrangem portos em Pernambuco, Ceará, Rio de Janeiro, Pará, Amapá e Paraná.

Em Pernambuco, foram anunciados investimentos federais de R$ 200 milhões para dragagem do Porto de Suape, R$ 100 milhões para dragagem do Porto do Recife e R$ 40 milhões para requalificação do Molhe de Suape, conforme informações divulgadas no Instagram do governo.

O setor privado também aportou recursos no estado, com a inauguração de um novo terminal de contêineres que ampliou em mais de 50% a capacidade de movimentação de contêineres de Pernambuco, segundo a mesma fonte. O empreendimento gerou cerca de 400 empregos diretos e mais de 2 mil empregos indiretos.

Capacidade portuária brasileira e lacunas de infraestrutura

Dados do BNDES de 2019 indicam que os portos brasileiros respondem pelo escoamento de mais de 90% do comércio exterior do país. Apesar disso, apenas os portos de Itaguaí (RJ), Suape (PE) e Pecém (CE), que concentram aproximadamente 15% da carga conteinerizada movimentada nos portos nacionais, têm condições de receber navios de maior porte, conforme o mesmo levantamento do BNDES.

A Container News ressalta que a pesquisa reflete tendências e prioridades de investimento no transporte marítimo internacional e não traz dados específicos sobre volumes, rotas ou produtos. Trata-se de um termômetro da percepção do setor.

FUP Explica

O resultado da pesquisa da Container News não muda nada na prática de imediato, mas diz algo relevante sobre onde o setor de shipping acredita que o dinheiro precisa ir. Quando profissionais do transporte marítimo colocam infraestrutura portuária acima de tecnologia de frota e até de cibersegurança, isso sinaliza que gargalos físicos, como calado insuficiente, capacidade limitada de pátio e acesso terrestre precário, ainda são vistos como o principal freio para a eficiência do setor. É um diagnóstico coletivo, não uma decisão de investimento, mas esse tipo de consenso costuma pautar discussões em fóruns do setor e influenciar onde capital privado e público se concentram nos ciclos seguintes.

No caso brasileiro, a lacuna é conhecida: o BNDES já apontava, em dados de 2019, que apenas três portos nacionais conseguem receber navios de grande porte, o que limita a competitividade das exportações e encarece o frete para quem importa.

O programa de leilões do Ministério de Portos e Aeroportos vai na direção certa, mas o ritmo de execução e a capacidade de atrair operadores qualificados para os arrendamentos são variáveis que ainda precisam ser testadas. Leilão anunciado não é terminal operando, e o histórico brasileiro de atrasos em obras portuárias recomenda cautela antes de comemorar os números projetados.

A presença da cibersegurança como segunda prioridade na pesquisa também merece atenção: portos são infraestrutura crítica cada vez mais digitalizada, e ataques a sistemas de gestão de terminais já causaram paralisações em portos europeus e asiáticos nos últimos anos. Para o Brasil, que ainda está consolidando a digitalização de processos portuários, isso aponta uma agenda que tende a crescer em importância junto com os investimentos físicos.

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