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Free Flow impulsiona uso de tags, que deve chegar a 20 milhões até 2027
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Free Flow impulsiona uso de tags, que deve chegar a 20 milhões até 2027

14/08/2026·679 palavras
Expansão do sistema Free Flow nas rodovias brasileiras aumenta adoção de tags para pagamento automático de pedágio com potencial de descontos tarifários.

O Free Flow, sistema de cobrança eletrônica de pedágio sem praças físicas nem cancelas, avança nas rodovias brasileiras e deve impulsionar a adoção de tags no país. A Associação Brasileira das Empresas de Pagamento Automático para Mobilidade (Abepam) estima que o Brasil tenha atualmente cerca de 15 milhões de tags ativas e projeta que esse número chegue a 20 milhões até 2027, acompanhando a expansão do modelo, conforme informou a Transporte Moderno.

O sistema opera por meio de pórticos equipados com câmeras e sensores que identificam os veículos automaticamente, seja pela leitura da tag ou pelo reconhecimento da placa.

Com a tag, a tarifa é debitada no momento da passagem. Sem o dispositivo, o motorista precisa consultar a cobrança e efetuar o pagamento pelos canais digitais da concessionária, com prazo que pode chegar a 30 dias corridos, segundo a Transporte Moderno. O não pagamento resulta em multa por evasão de pedágio de R$ 195,23 e cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

O modelo já está presente em mais de 19 rodovias e deve chegar a corredores de grande movimento. As rodovias Castello Branco e Raposo Tavares, em São Paulo, estão previstas no cronograma de implantação para 2027.

Free Flow e os descontos para quem usa tag

Usuários de pagamento automático em rodovias federais concedidas têm direito ao Desconto Básico de Tarifa (DBT), regulamentado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), correspondente a 5% da tarifa. Algumas concessões também oferecem o Desconto de Usuário Frequente (DUF), com abatimento progressivo conforme o número de passagens do mesmo veículo pela mesma praça durante o mês, benefício voltado a carros de passeio que exigem uso de tag.

Para usuários profissionais, como caminhoneiros, motoristas de aplicativo e empresas de transporte, a centralização dos pagamentos em uma única conta facilita o controle de despesas, eliminando a necessidade de acompanhar cobranças de diferentes concessionárias.

Inadimplência e estratégias das empresas de tags

A adoção do Free Flow enfrenta obstáculos. Segundo reportagem de junho de 2024 do Valor Internacional, altas taxas de inadimplência e baixa compreensão do modelo por parte dos usuários levaram empresas de tags e concessionárias a desenvolver estratégias de implementação. Na CCR RioSP, primeira rodovia a testar o sistema no país, a inadimplência caiu para 8,8% em março de 2024, ante 18% em abril de 2023. Ainda assim, esse índice permanece bem acima da inadimplência inferior a 1% observada no modelo tradicional com cancelas.

Carlos Gazaffi, CEO da Sem Parar, observou ao Valor Internacional que, no Chile, a inadimplência varia entre 4% e 5% após dez anos de operação do free flow, enquanto na Caminhos da Serra Gaúcha atinge 6%. Ele também alertou que nem todos os sistemas são bem-sucedidos: na África do Sul, o sistema e-toll foi encerrado em abril de 2024 após vandalismo e resistência de concessionárias.

Para ampliar a base de usuários, ConectCar e Veloe passaram a oferecer serviço gratuito para usuários de free flow como estratégia de marketing.

A abordagem elevou o uso de tags para 72% no trecho CCR, comparado a 38% no início das operações. Ricardo Kaoru, CEO da ConectCar e presidente da Abepam, afirmou que "este modelo se expandirá com o tempo". Por outro lado, empresas de tags não recebem pagamento pelo tráfego em rodovias, diferentemente do que ocorre em shopping centers e estacionamentos, o que torna o serviço gratuito essencialmente uma ação de captação de clientes.

A Sem Parar também desenvolveu funcionalidade que consolida pagamentos de pedágio em sua plataforma sem necessidade de tag física, permitindo que o usuário registre a placa e pague pelos canais digitais, com cobertura prevista para 100% das concessionárias, conforme informou o Valor Internacional em junho de 2024.

Kaoru destacou à Transporte Moderno que a expansão do Free Flow precisa ser acompanhada por comunicação mais clara com os motoristas. "O modelo traz ganhos importantes para a mobilidade, como redução de congestionamentos e jornada mais rápida, mas ainda exige adaptação do usuário", afirmou. Segundo ele, a tag reduz a complexidade ao automatizar o pagamento e diminuir a necessidade de acompanhar diferentes prazos e acessar canais digitais de cada concessionária.

FUP Explica

O avanço do Free Flow muda a lógica do pedágio no Brasil de forma gradual, mas consistente. A projeção de 20 milhões de tags até 2027 indica que o sistema deixa de ser exceção e passa a ser o padrão em rodovias concedidas, o que coloca pressão sobre quem ainda não aderiu ao pagamento automático, seja por desconhecimento ou por resistência.

O ponto mais sensível continua sendo a inadimplência. A taxa de 8,8% registrada na CCR RioSP, embora menor do que no início, ainda é muito superior à de sistemas com cancela.

Isso cria um problema financeiro real para as concessionárias, que precisam arcar com o custo de cobrar depois, e um risco para o motorista desatento, que pode levar multa de quase R$ 200 sem perceber que deixou de pagar. A experiência internacional mostra que a inadimplência tende a cair com o tempo, mas exige esforço contínuo de comunicação e facilidade de pagamento.

Para quem usa a estrada com frequência, a conta é direta: tag significa desconto de 5% garantido pela ANTT, mais eventuais descontos por frequência, além de menos burocracia. Para quem usa esporadicamente, o risco é não saber que a cobrança existe e acabar pagando multa em vez de tarifa. O modelo só funciona bem se o usuário souber das regras, e esse ainda é o maior gargalo da expansão.

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