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Operação Mondragón desmantela rede internacional de tráfico no Porto de Guayaquil
Logística

Operação Mondragón desmantela rede internacional de tráfico no Porto de Guayaquil

06/08/2026·470 palavras
Operação contra crime organizado que utilizava Porto de Guayaquil como hub logístico reforça preocupações com segurança e compliance em portos da região.

A Operação Mondragón desmantelou uma organização criminosa internacional que usava o Porto de Guayaquil como principal eixo logístico para o tráfico de drogas com destino à Europa. A ação foi concluída em 6 de agosto de 2026 e conduzida em conjunto pela Polícia Nacional do Equador, pela Guarda Civil da Espanha e pela Europol, conforme noticiou o Portal Portuario com base em publicação da própria polícia equatoriana.

A operação resultou na detenção de 10 pessoas, na apreensão de 21 toneladas de droga e na realização de 8 buscas domiciliares. As autoridades também retiveram 91 veículos, bloquearam 39 contas bancárias e apreenderam 1 milhão de euros. Os integrantes da organização processados receberam sentenças de 7 a 10 anos de prisão, de acordo com a polícia equatoriana.

A investigação tem origem no caso denominado "Gran Fénix 13-Tormes", desenvolvido no Equador pela Unidade Nacional de Investigação Antidrogas. No curso dessas apurações, as autoridades identificaram mais de 20 cidadãos equatorianos suspeitos de participar do recolhimento, guarda e contaminação de contêineres de exportação, principalmente carregamentos de banana.

O grupo funcionava em três ramos distintos. No Equador, células locais coordenavam a contaminação das cargas nas imediações do Porto de Guayaquil. Na Espanha, a rama principal, integrada por cidadãos espanhóis e marroquinos, administrava empresas de fachada para importar contêineres da América do Sul, com destino aos portos de Málaga, Algeciras e Valencia. Em Dubai, investidores de origem albanesa teriam fornecido recursos às empresas espanholas para financiar as operações e conferir aparência legal à movimentação de capitais e mercadorias.

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Os carregamentos ilícitos eram introduzidos por dois mecanismos principais: a modificação da estrutura dos contêineres, especialmente de seus pisos, e a substituição parcial ou total do produto legal. O uso de empresas formalmente constituídas e com histórico regular de exportações teria permitido à organização reduzir alertas durante os controles antinarcóticos nos portos de origem e de destino.

O Porto de Guayaquil não aparece pela primeira vez em investigações desse tipo. Em março de 2025, uma apreensão de 2,6 toneladas de cocaína em um porto privado da província de Guayas, o DP World Posorja, colocou em evidência um grupo empresarial com vínculos societários e familiares com o presidente Daniel Noboa. Naquele caso, a droga foi encontrada em contêiner da empresa Blasti S.A. Trata-se de episódio distinto da Operação Mondragón, mas que aponta para um padrão recorrente de uso de estruturas logísticas portuárias equatorianas por organizações criminosas.

O padrão não se restringe ao Equador. Em maio de 2026, a Polícia Federal realizou operação contra um esquema de tráfico internacional no Porto do Rio de Janeiro, onde uma quadrilha misturava cocaína a cargas de café para envio ao exterior, segundo o G1. A ação visava cumprir 3 mandados de prisão preventiva e 7 de busca e apreensão em endereços nos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo.

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O que a Operação Mondragón deixa claro é que o risco não está só na carga ilícita em si, mas na sofisticação com que organizações criminosas conseguem se infiltrar em cadeias de exportação completamente legítimas. Usar empresas com histórico regular de comércio exterior, cargas de alto volume como banana e modificações físicas discretas nos contêineres é exatamente o tipo de método que passa pelos filtros de risco convencionais, porque tudo parece normal até não parecer mais.

Para exportadores, terminais e operadores de comex que trabalham com rotas da América do Sul para a Europa, o caso reforça a pressão por programas de compliance mais robustos, especialmente no que diz respeito ao controle de acesso às cargas antes do embarque e à verificação de integridade dos contêineres. A tendência é que autoridades europeias intensifiquem o escrutínio sobre cargas originárias do Equador, o que pode gerar mais inspeções e, consequentemente, mais atrasos para exportadores legítimos.

Do ponto de vista institucional, a operação mostra que a cooperação entre Europol, Guarda Civil espanhola e Polícia Nacional do Equador funcionou, mas também expõe a fragilidade dos controles portuários quando a organização criminosa tem tempo, dinheiro e estrutura para construir uma fachada convincente. O nó financeiro em Dubai indica que o combate a esse tipo de esquema exige coordenação que vai muito além do porto de origem.

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