FUP News
ONE eleva sobretaxa ambiental entre América do Sul e Europa para até US$ 336
Marítimo

Imagem gerada por IA

ONE eleva sobretaxa ambiental entre América do Sul e Europa para até US$ 336

02/09/2026·727 palavras
A Ocean Network Express (ONE) anunciou sua sobretaxa ambiental para Europa no quarto trimestre de 2026, aplicável de 1º de outubro a 31 de dezembro, cobrindo contratos em rotas não-FMC, FMC-reguladas e envolvendo Canadá.

A Ocean Network Express (ONE) aumentará a sobretaxa ambiental cobrada em diferentes rotas marítimas ligadas à Europa entre 1º de outubro e 31 de dezembro de 2026. No corredor Ásia/Oceania–Europa, por exemplo, a Europe Environment Surcharge (EES) passará de US$ 102 para US$ 110 por contêiner seco de 20 pés e de US$ 204 para US$ 220 por equipamento de 40 pés. A revisão trimestral acompanha os custos das regras de controle de emissões da União Europeia e do Reino Unido, segundo o Container News.

Para contêineres refrigerados na mesma rota, a cobrança será de US$ 210 para equipamentos de 20 pés e US$ 420 para os de 40 pés. No trimestre anterior, o reefer de 40 pés estava sujeito a uma tarifa de US$ 392.

A nova tabela entra em vigor em 1º de outubro e permanece válida até 31 de dezembro. A cobrança abrange contratos em rotas não reguladas pela Comissão Marítima Federal dos Estados Unidos (FMC), operações submetidas às regras da agência norte-americana e embarques que envolvem o Canadá.

América do Sul terá cobrança de até US$ 336

Nas rotas entre América do Sul e Europa, a ONE estabeleceu uma sobretaxa de US$ 89 para contêineres secos de 20 pés e US$ 178 para equipamentos de 40 pés no sentido Europa. Para contêineres refrigerados, os valores serão de US$ 168 e US$ 336, respectivamente.

No sentido contrário, da Europa para a América do Sul, a cobrança será de US$ 76 para contêineres secos de 20 pés e US$ 152 para os de 40 pés. Nos equipamentos refrigerados, os valores serão de US$ 142 e US$ 284.

Na rota entre Europa e América do Norte, a sobretaxa será de US$ 62 para contêineres secos de 20 pés e US$ 124 para os de 40 pés. No sentido América do Norte–Europa, os valores serão de US$ 50 e US$ 100, respectivamente.

No trimestre anterior, a cobrança para contêineres secos de 20 pés era de US$ 57 no sentido Europa–América do Norte e de US$ 44 na direção contrária, segundo o Portal Portuario.

Os valores mais elevados da tabela aparecem em algumas operações envolvendo a Ásia Ocidental e o Mediterrâneo.

Na rota Ásia Ocidental–Mediterrâneo, a EES chegará a US$ 187 para contêiner seco de 20 pés e US$ 374 para o de 40 pés. Para equipamentos refrigerados, os valores serão de US$ 364 e US$ 728, respectivamente.

No sentido Mediterrâneo–Ásia Ocidental, a cobrança será de US$ 141 para contêiner seco de 20 pés, US$ 282 para 40 pés, US$ 272 para reefer de 20 pés e US$ 544 para reefer de 40 pés.

Nas operações dentro da Europa, os valores serão de US$ 72 para contêiner seco de 20 pés e US$ 144 para o de 40 pés. Para reefers, as tarifas serão de US$ 134 e US$ 268.

Reino Unido passou a integrar sobretaxa em julho

A ONE incluiu todas as cargas com origem ou destino no Reino Unido no alcance da Europe Environment Surcharge a partir de 1º de julho de 2026.

A mudança ocorreu após a companhia passar a ter de entregar licenças correspondentes a 100% das emissões verificadas de gases de efeito estufa abrangidas pelo sistema britânico de comércio de emissões, o UK Emissions Trading Scheme (UK ETS).

A revisão implementada no terceiro trimestre também reuniu em uma única cobrança os custos relacionados ao UK ETS, ao Sistema de Comércio de Emissões da União Europeia (EU ETS).

Na União Europeia, o EU ETS entrou em sua fase de conformidade integral em 1º de janeiro de 2026. As armadoras passaram a ter de entregar licenças correspondentes a 100% das emissões verificadas abrangidas pelo sistema, ante 70% em 2025. O cálculo passou ainda a incluir metano e óxido nitroso, além do dióxido de carbono.

Exportações da China terão tratamento diferente

A ONE não cobrará a Europe Environment Surcharge como item separado nas cargas de exportação originárias da China. Nesses casos, o valor correspondente ao componente ambiental será incorporado diretamente à tarifa de frete.

Nas operações reguladas pela FMC, o anúncio abrange Estados Unidos, Samoa Americana, Porto Rico, Guam, Saipan e Havaí.

A ONE criou a Europe Environment Surcharge em 1º de janeiro de 2025 para incorporar às tarifas os custos decorrentes das regras ambientais aplicáveis ao transporte marítimo. A companhia revisa os valores trimestralmente e pode alterar as tarifas mediante aviso prévio.

FUP Explica

O que está em jogo aqui é a transmissão dos custos regulatórios europeus para a cadeia de fretes internacionais. O EU ETS e o UK ETS funcionam como sistemas de cotas de carbono: as armadoras precisam comprar e entregar licenças de emissão, e esse custo precisa ser repassado de alguma forma. A ONE optou por uma sobretaxa explícita e revisada trimestralmente, o que dá transparência ao mecanismo, mas também torna o custo visível e recorrente para quem embarca carga nessas rotas.

A migração de 70% para 100% de cobertura no EU ETS, ocorrida em janeiro de 2026, representou um salto relevante na obrigação financeira das armadoras. Somado a isso, a inclusão de metano e óxido nitroso no cálculo amplia a base de emissões contabilizadas, o que tende a pressionar ainda mais o valor das sobretaxas nos próximos trimestres, dependendo do preço das licenças no mercado europeu. A entrada do UK ETS com cobertura de 100% a partir de julho de 2026 segue a mesma lógica e adiciona uma camada de custo para quem opera com o mercado britânico.

Para importadores e exportadores brasileiros que usam rotas com escala ou destino na Europa ou no Reino Unido, o efeito prático é um custo adicional por contêiner que varia conforme o tipo de carga e o corredor. Como a ONE revisa os valores a cada trimestre, esse componente do frete passou a ter volatilidade própria, descolada das oscilações de oferta e demanda de capacidade. Quem negocia contratos de longo prazo precisa levar em conta que a sobretaxa pode mudar a cada três meses e que outras armadoras operam mecanismos semelhantes, o que torna o recargo ambiental uma variável estrutural do custo de frete para a Europa, não um ajuste pontual.

Compartilhar:WhatsAppX (Twitter)LinkedIn

Leia também