Novo corredor ferroviário na Itália pode abrir porta para exportação de veículos brasileiros à Europa
Automar (Grimaldi Group) lançou novo corredor ferroviário conectando Livorno, Pontecagnano e Gioia Tauro em parceria com FS Logistix e GTA, fortalecendo conexões logísticas automotivas entre centro e sul da Itália. Serviço operado pela Mercitalia Rail oferece conexão de ida e volta entre os três portos.
A Automar, empresa do Grimaldi Group, lançou um novo corredor ferroviário automotivo conectando os portos de Livorno, Pontecagnano e Gioia Tauro, na Itália. O serviço, operado pela Mercitalia Rail em parceria com FS Logistix, GTA e a associação logística ALIS, oferece conexão de ida e volta entre os três pontos e atravessa as regiões da Toscana, Campânia e Calábria — criando uma espinha dorsal ferroviária dedicada ao transporte de veículos entre o centro e o sul do país.
Corredor ferroviário automotivo: como o serviço funciona
Gioia Tauro, localizado na Calábria, funciona como ponto de entrada de veículos provenientes do Extremo Oriente. Com o novo corredor, esses veículos podem ser transferidos diretamente para serviços ferroviários com destino a Livorno e outros pontos de distribuição no interior da Itália. Pontecagnano, por sua vez, atua como nó intermediário, permitindo a transferência eficiente de cargas entre diferentes partes da rede.
Segundo a Automar, a solução reduz o tempo de permanência dos veículos no porto, melhora a eficiência da distribuição terrestre e equilibra os fluxos entre o norte e o sul da Itália. Não só isso: a iniciativa também limita os movimentos de transporte em vazio, tornando toda a cadeia logística mais enxuta.
Sustentabilidade e resiliência como vetores da mudança
A migração do modal rodoviário para o ferroviário responde a dois movimentos simultâneos no setor. O primeiro é a pressão por sustentabilidade: reduzir congestionamentos nas estradas e diminuir emissões tornou-se prioridade nas cadeias de suprimento automotivas europeias, alinhadas às diretrizes ambientais do bloco. O segundo é a resiliência operacional — a escassez persistente de motoristas profissionais e a capacidade limitada do transporte rodoviário de longa distância reforçam a necessidade de alternativas modais mais confiáveis.
Esse movimento não é isolado. A FS Logistix, uma das parceiras do projeto, também integra um corredor ferroviário de longa distância entre a Itália e a Suécia, cobrindo cinco países europeus em parceria com a Nurminen Logistics. O corredor de Gioia Tauro se encaixa, portanto, em uma tendência mais ampla de expansão da malha ferroviária de carga no continente.
Gioia Tauro como hub multimodal e o impacto para o comex brasileiro
O porto de Gioia Tauro vem expandindo seu papel para além do transbordo de contêineres. Com o novo corredor, o porto calabrês consolida-se como hub logístico multimodal, servindo tanto ao mercado italiano quanto às redes europeias de distribuição de veículos — e isso tem implicações diretas para operadores brasileiros.
O Brasil registrou exportações de veículos em crescimento expressivo: foram 57,1 mil unidades embarcadas em agosto de 2025, o maior resultado desde junho de 2018, segundo a Anfavea. No acumulado de janeiro a agosto de 2025, as exportações somaram 313,3 mil unidades, crescimento de 12,1% frente ao mesmo período do ano anterior.
Com Gioia Tauro se consolidando como ponto de entrada de veículos do Extremo Oriente com distribuição ferroviária integrada, o porto pode tornar-se também um destino para veículos brasileiros com destino ao mercado europeu.
Além das exportações automotivas, operadores que utilizam rotas com transbordo no Mediterrâneo devem acompanhar a evolução desse hub. A melhora na infraestrutura de distribuição interna tende a impactar prazos e custos de operações que passam por portos italianos — e, em linha com a ampliação da rede da Hapag-Lloyd no Adriático, reforça a atratividade do sul da Europa como plataforma logística integrada para cargas brasileiras.
FUP Explica
O que parece ser uma novidade restrita à logística interna italiana tem desdobramentos relevantes para quem opera cargas com destino à Europa. Gioia Tauro não é um porto qualquer: é um dos maiores hubs de transbordo do Mediterrâneo e, com esse corredor, passa a oferecer uma solução de distribuição terrestre integrada para veículos que chegam do Extremo Oriente.
Para quem planeja rotas ou negocia fretes com armadores que operam no Mediterrâneo, vale monitorar como essa infraestrutura vai evoluir. A combinação de porto multimodal, corredor ferroviário dedicado e parceiros logísticos integrados tende a atrair mais linhas regulares e, com isso, ampliar a oferta de espaço e potencialmente pressionar fretes para baixo nessa rota.
O risco de não acompanhar esse movimento é perder competitividade frente a concorrentes que já estiverem roteando carga por esse hub quando ele atingir maturidade operacional.





