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Houthis conquistam novas áreas no Iêmen e chegam a uma das principais passagens marítimas do mundo
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Houthis conquistam novas áreas no Iêmen e chegam a uma das principais passagens marítimas do mundo

11/09/2026·677 palavras

_Avanço pelo litoral do Iêmen leva grupo à ilha de Perim e à cidade de Dhubab, enquanto pressão sobre rotas energéticas e novos episódios de pirataria elevam a insegurança na região_

Em poucas horas, o avanço pela costa oeste do Iêmen levou os Houthis até um dos pontos mais importantes da região. Nesta sexta-feira (11), combatentes do grupo chegaram à ilha de Perim, no Estreito de Bab el-Mandeb, enquanto forças ligadas ao governo reconhecido internacionalmente deixavam posições na ilha e na cidade costeira de Dhubab.

A ofensiva reforça a presença do grupo apoiado pelo Irã em uma das principais passagens do comércio marítimo mundial, entre o Golfo de Áden, o Mar Vermelho e o Canal de Suez. Quatro fontes do governo iemenita confirmaram à Reuters a chegada dos combatentes a Perim, e outras duas relataram a retirada das forças governistas e a perda de Dhubab.

O movimento ocorre depois da tomada de Mokha, na quinta-feira (10), e representa mais uma etapa do avanço dos Houthis pela costa oeste do Iêmen. Relatos reunidos pela Al Jazeera indicam que o grupo também chegou a ilhas próximas e passou a exercer controle sobre praticamente todo o litoral iemenita do Mar Vermelho. Perim, também conhecida como Mayyun, está posicionada no centro de Bab el-Mandeb e, por isso, tem importância central para a circulação de navios.

Apesar dos relatos de fontes governamentais e testemunhas, até a manhã desta sexta-feira não havia anúncio oficial do governo Houthi em Sanaa confirmando o controle integral do estreito.

A movimentação ganha relevância principalmente porque Bab el-Mandeb se tornou ainda mais importante para o transporte de petróleo desde a redução do tráfego pelo Estreito de Ormuz. Antes do atual conflito entre Estados Unidos e Irã, cerca de um quinto dos embarques mundiais de energia passava por lá. Com as restrições nessa rota, a Arábia Saudita passou a depender mais do corredor do Mar Vermelho para levar petróleo aos mercados internacionais.

A pressão começa a aparecer nos mercados de energia. Os preços mundiais do petróleo caminhavam para encerrar a semana acima de US$ 100 por barril pela primeira vez desde meados de maio. Além disso, a produção saudita caiu 2,3 milhões de barris por dia em agosto, para cerca de 6 milhões de barris diários, o menor nível em mais de três décadas, segundo dados da Agência Internacional de Energia.

Imagens de satélite também mostraram fumaça nas proximidades do oleoduto East-West da Arábia Saudita, estrutura utilizada para transportar petróleo da região leste do país até o Mar Vermelho, embora não houvesse confirmação oficial de um incidente no local.

Ao mesmo tempo, a deterioração da segurança não está restrita à ofensiva Houthi. Um navio cargueiro de gestão grega foi abordado por suspeitos de pirataria na quinta-feira, ao largo do Iêmen. De acordo com o Splash247, o Glamor, de bandeira de São Vicente e Granadinas, navegava de Salalah, em Omã, para Djibuti quando homens armados conseguiram subir a bordo.

A tripulação se refugiou na cidadela da embarcação, e os invasores deixaram o navio depois de não conseguirem assumir o controle da embarcação. Todos os tripulantes foram considerados seguros, enquanto a Operação Atalanta, da União Europeia, passou a investigar o episódio.

O ataque também reforça preocupações com a retomada da pirataria no Golfo de Áden e no oeste do Oceano Índico. Desde abril, oito sequestros bem-sucedidos de embarcações foram registrados na região, com grupos piratas voltando a operar a grandes distâncias da costa e utilizando barcos capturados como embarcações de apoio.

Diante do avanço Houthi, forças vinculadas ao governo iemenita afirmaram que pretendem recuperar os territórios perdidos e anunciaram o emprego de armamentos e aeronaves em áreas prioritárias, incluindo o acesso a Mokha. Paralelamente, relatos indicaram ataques aéreos sauditas contra o aeroporto da cidade, sem informações imediatas sobre vítimas ou danos.

Um integrante do politburo Houthi, por outro lado, afirmou que a navegação internacional permanece segura. A combinação entre avanço militar, pressão sobre duas rotas energéticas e retomada da pirataria, porém, eleva a atenção sobre Bab el-Mandeb e sobre os riscos para os fluxos marítimos entre Ásia, Oriente Médio e Europa.

FUP Explica

O controle de Perim e de Dhubab pelos Houthis muda o peso geopolítico do conflito iemenita de forma concreta. Bab el-Mandeb é um dos pontos de estrangulamento mais sensíveis do comércio marítimo mundial: quem domina a ilha no centro do estreito tem capacidade real de interferir na passagem de navios entre o Mar Vermelho e o Golfo de Áden. Com o Estreito de Ormuz já operando com restrições por causa do conflito entre Estados Unidos e Irã, a Arábia Saudita passou a depender mais dessa rota para escoar petróleo, o que torna o avanço Houthi ainda mais delicado do ponto de vista energético.

No campo econômico, o sinal mais imediato é o preço do petróleo acima de US$ 100 por barril, combinado com a queda da produção saudita para o menor nível em mais de três décadas. Isso tende a pressionar custos de transporte e de energia em escala ampla, com efeitos que se espalham por cadeias produtivas que dependem de insumos derivados do petróleo.

Para o comércio marítimo internacional, a combinação de avanço militar Houthi com a retomada da pirataria no Golfo de Áden eleva o risco operacional de rotas que passam pela região, o que pode se traduzir em prêmios de seguro mais altos e desvios de rota para embarcações que antes usavam o corredor do Mar Vermelho e do Canal de Suez.

No plano político e institucional, o episódio expõe os limites das forças governamentais iemenitas e coloca pressão sobre aliados regionais, especialmente a Arábia Saudita, que respondeu com ataques aéreos em Mokha. A Operação Atalanta, da União Europeia, já investiga o caso de pirataria contra o Glamor, mas a capacidade de resposta multilateral a uma escalada simultânea de conflito armado e pirataria é um ponto de interrogação real. O fato de um integrante do politburo Houthi afirmar que a navegação permanece segura, enquanto o grupo avança sobre o ponto mais sensível do estreito, indica que o grupo tenta administrar a narrativa internacional, mas a credibilidade dessa garantia depende de como os próximos dias se desenvolverem.

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