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Comércio Exterior

Ameaça de greve nos portos da Califórnia coloca exportações de carnes em alerta

03/11/2026 · 619 palavras

Vigilantes negociam novo contrato até quarta-feira (4); eventual paralisação pode atrasar navios e comprometer embarques de produtos resfriados

À espera de um novo contrato de trabalho, cerca de 250 vigilantes dos portos de Los Angeles e Long Beach, na Califórnia, ameaçam entrar em greve a partir das 17h de quarta-feira (4), no horário local. Enquanto sindicato e empregadores negociam com auxílio de mediadores federais, exportadores americanos de carnes temem atrasos nos embarques. A preocupação é que outras categorias respeitem os piquetes e interrompam operações nos terminais.

Segundo a Dakota News Network, o ILWU Local 26, que representa os vigilantes, e a Pacific Maritime Association (PMA), responsável pelas negociações dos empregadores, concordaram na sexta-feira (30) em estender as conversas. O prazo anterior para uma paralisação terminava no domingo (1º). Com a prorrogação, as partes ganharam tempo para buscar um acordo.

Embora correspondam a aproximadamente 2% dos trabalhadores do ILWU nos dois portos, os vigilantes atuam em terminais com participação expressiva na movimentação de cargas. Conforme a PMA, essas instalações respondem por cerca de 85% do volume de Long Beach e 33% do de Los Angeles.

Além disso, a entidade considera improvável que estivadores e trabalhadores administrativos sindicalizados atravessem os piquetes. Caso isso ocorra, a greve poderá interromper operações nos navios, nos pátios e nos acessos aos terminais afetados.

Atrasos podem chegar a Oakland

O risco também alcança o Porto de Oakland, que concentra o maior volume de embarques americanos de carnes vermelhas. Em entrevista reproduzida pela Iowa Agribusiness Radio Network, Dan Halstrom, presidente e CEO da Federação de Exportadores de Carnes dos Estados Unidos (USMEF), alertou que o congestionamento no sul da Califórnia pode atrasar cargas previstas para sair por esse terminal.

Isso acontece porque muitos navios utilizados pelos exportadores passam primeiro por Los Angeles ou Long Beach. Assim, quando uma dessas escalas sofre atrasos ou interrupções, as embarcações podem deixar de chegar a Oakland no prazo previsto.

Em declaração publicada pela AgInfo, Halstrom afirmou que cerca de dois terços das exportações marítimas americanas de carne bovina e metade das de carne suína passam pelos portos da Costa Oeste. Já os terminais do sul da Califórnia respondem por aproximadamente 25% dos embarques marítimos de carnes vermelhas do país.

“Já estamos vendo o congestionamento aumentar nos portos do sul da Califórnia”, disse o dirigente. Nesse cenário, uma paralisação acrescentaria pressão às operações e dificultaria o cumprimento dos cronogramas de transporte.

A preocupação é maior com as carnes resfriadas, que têm vida útil limitada e estão entre os produtos de maior valor exportados pelo setor. Segundo Halstrom, a grande maioria desses embarques passa por Oakland. Portanto, a regularidade das escalas é especialmente importante para preservar o tempo disponível até a entrega, embora as cargas congeladas também possam sofrer atrasos.

Negociação segue sem detalhes sobre o impasse

O contrato anterior dos vigilantes venceu em julho de 2025. Desde então, a categoria trabalha sob prorrogações. Enquanto o sindicato afirma que os empregadores não apresentaram avanços significativos, a PMA reconhece que ainda existem diferenças importantes. Nenhuma das partes, porém, detalhou publicamente os pontos em disputa.

Apesar da ameaça de greve, a administração de Long Beach informou que a segurança geral do porto continuará funcionando. Noel Hacegaba, CEO do complexo, afirmou que a patrulha portuária e a polícia local manterão suas atividades sem interrupção.

O histórico mostra como uma mobilização de menor alcance pode afetar o conjunto das operações. Em 2012, uma greve de trabalhadores administrativos durou oito dias e paralisou a maioria dos terminais dos dois portos, depois que estivadores se recusaram a atravessar os piquetes.

A disputa atual é independente do contrato coletivo dos estivadores da Costa Oeste. Esse acordo permanece válido até 2028 e abrange cerca de 22 mil trabalhadores em 29 portos.