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EUA e Irã perto de acordo para reabrir o Estreito de Ormuz
Geopolítica

EUA e Irã perto de acordo para reabrir o Estreito de Ormuz

05/08/2026·552 palavras
Possível acordo entre EUA e Irã para reabertura do Estreito de Ormuz pode impactar rotas marítimas globais e custos de frete para exportações brasileiras de petróleo e commodities.

O Estreito de Ormuz pode ser reaberto nos próximos dias. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, declarou nesta terça-feira (4) à CNBC que um acordo com o Irã para reabrir a hidrovia poderia ser alcançado naquele mesmo dia ou no seguinte. "Estamos em negociações com os iranianos e acredito que há uma chance de chegarmos a um acordo hoje ou amanhã para abrir o estreito e avançar em direção a uma posição mais normalizada neste conflito", afirmou Bessent, conforme reportado pelo Monitor Mercantil.

Ao ser questionado sobre a possibilidade de o Irã cobrar pedágio das embarcações, Bessent respondeu que o acordo trataria de "liberdade de movimento". O secretário de Estado Marco Rubio, por sua vez, distinguiu dois objetivos: a reabertura do estreito como o acordo "imediato" e a desnuclearização do Irã como o "acordo definitivo".

O emir do Catar, Tamim bin Hamad Al Thani, conversou por telefone com o presidente Donald Trump para discutir os desdobramentos das negociações, de acordo com comunicado do Amiri Diwan, o gabinete administrativo do emir. O Ministério das Relações Exteriores do Catar reafirmou que os esforços de mediação seguem em andamento e que propostas preliminares continuam sendo trocadas entre as partes.

Do lado iraniano, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, descreveu as negociações com Omã como "positivas", tanto em nível técnico quanto político, com foco na definição de rotas seguras para a passagem de embarcações. A emissora estatal iraniana Press TV citou uma autoridade de alto escalão informando que, uma vez operacional, o novo corredor substituirá as rotas norte e sul existentes.

No entanto, as negociações de 4 de agosto ainda não haviam produzido acordo formal até o momento em que as fontes disponíveis foram publicadas. A situação permanecia em aberto, com propostas sendo trocadas por meio de mediadores catarianos e omanenses.

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Linha do tempo do conflito

Em 15 de junho, um entendimento mediado pelo Paquistão previa assinatura na Suíça e abria caminho para a retomada do tráfego marítimo. Em 18 de junho, reportagens apontavam que o Irã deveria restabelecer a navegação no estreito em até 30 dias, garantindo passagem segura e gratuita. Esses detalhes não puderam ser atribuídos a um órgão específico.

O conflito transformou o estreito em zona de disputa ativa, com o Irã utilizando mísseis e drones para controlar o acesso e exigir pedágio por um corredor próximo à sua costa, enquanto os EUA passaram a escoltar embarcações pelo corredor omanense sem cobrança.

Petróleo em queda com perspectiva de acordo

A possibilidade de entendimento derrubou as cotações do petróleo. O contrato West Texas Intermediate (WTI) para entrega em setembro recuou 5,69%, fechando a US$ 75,77 o barril na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex). O petróleo Brent para entrega em outubro caiu 5,26%, fechando a US$ 79,36 o barril na bolsa ICE Futures de Londres.

Bessent acrescentou que os preços devem cair ainda mais quando centenas de navios retidos no Golfo conseguirem sair, e que o impacto vai além da energia, incluindo fertilizantes, produtos de petróleo refinados e gases industriais. A CNN Brasil registrou que o fechamento do estreito impõe desvio de rotas e encarece o frete marítimo, e que um bloqueio prolongado afeta não apenas os países vizinhos da região, mas nações dependentes do fluxo de commodities e bens de consumo que passam pela hidrovia.

FUP Explica

A declaração de Bessent é o sinal mais concreto até agora de que as negociações saíram do campo diplomático vago e entraram numa fase de definição. O fato de o secretário do Tesouro, e não apenas o de Estado, estar na linha de frente indica que o lado econômico do acordo pesa tanto quanto o geopolítico: petróleo mais barato interessa diretamente à agenda antiinflacionária de Trump, e a queda de mais de 5% no WTI e no Brent no mesmo dia da declaração mostra que o mercado levou o sinal a sério.

Se o acordo se confirmar, o efeito imediato é o desbloqueio de centenas de navios retidos no Golfo, o que tende a aliviar o frete marítimo e reduzir o custo de produtos que dependem dessa rota, como fertilizantes, derivados de petróleo e gases industriais. Para o Brasil, que importa fertilizantes e tem parte de sua cadeia agrícola exposta a esse mercado, um alívio no custo logístico pode chegar indiretamente ao setor produtivo, embora o tamanho desse efeito dependa da velocidade com que a normalização ocorrer e de quanto tempo os navios levam para se redistribuir.

O ponto de atenção é que nenhum acordo formal foi assinado até o momento em que as informações disponíveis foram publicadas. A distinção feita por Rubio entre o acordo "imediato" (reabertura do estreito) e o "definitivo" (desnuclearização) deixa claro que, mesmo que a hidrovia reabra, o conflito de fundo continua sem solução. Isso significa que a estabilidade da rota pode ser frágil: qualquer ruptura nas negociações sobre o programa nuclear iraniano tem potencial para recolocar o estreito em disputa.

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