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Comércio Exterior

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Espírito Santo Express segue em chamas e à deriva no Atlântico; cargas para o Brasil permanecem sem previsão

26/10/2026 · 826 palavras

Mais de dez dias após o início do incêndio, porta-contêineres Espirito Santo Express continua abandonado no Atlântico Sul; situação das mercadorias ainda é desconhecida e operação de salvamento pode gerar custos adicionais aos donos das cargas

O Espirito Santo Express continua em chamas e à deriva no Atlântico Sul mais de dez dias após o início de um incêndio. O fogo obrigou seus 28 tripulantes a abandonar o porta-contêineres, que seguia de Singapura para Santos. Equipes especializadas tentam controlar a ocorrência e estabilizar a embarcação. Enquanto isso, importadores ainda aguardam informações sobre as cargas que seguiam para o Brasil e outros países da América do Sul.

Situação do Espirito Santo Express é atualizada

O aviso internacional de navegação HYDROLANT 2109/26 mantém o Espirito Santo Express como um perigo à navegação. O documento, atualizado no sábado (25) e válido para domingo (26), aponta a posição 29°37.05′ S e 25°38.17′ W.

O alerta classifica o navio como derelict vessel, termo usado para uma embarcação abandonada. Também registra que ele permanece “on fire and adrift”, ou seja, em chamas e à deriva. O SeaLagom disponibiliza o aviso aos navegadores.

O incêndio começou em 15 de outubro, enquanto o navio seguia em direção ao Porto de Santos. A Seaspan, responsável pela gestão da embarcação, informou que a tripulação identificou inicialmente fumaça e, depois, fogo. O problema surgiu em uma carga localizada na área do porão, à frente do bloco de acomodações.

A empresa ainda não determinou a origem do incêndio. A Seaspan informou que investigará a causa em cooperação com as autoridades competentes. Embora fontes especializadas tenham relatado uma explosão antes do fogo, a comunicação oficial da companhia não confirma essa sequência.

Cargas do Espirito Santo Express continuam sem previsão

Os importadores com mercadorias a bordo ainda não sabem quais contêineres sofreram danos. Também não há informações individualizadas sobre a situação das cargas.

A Hapag-Lloyd, que mantém o navio afretado, informou que as equipes continuam atuando no combate ao incêndio. Os profissionais também trabalham para estabilizar a embarcação.

A companhia ainda avalia a extensão do incidente e os impactos sobre o navio e as mercadorias. Por enquanto, a Hapag-Lloyd não consegue determinar as condições de contêineres ou embarques específicos. A empresa também não estabeleceu uma data para divulgar informações detalhadas sobre eventuais danos.

O Espirito Santo Express tem capacidade para cerca de 11,8 mil TEUs e começou a operar em 2018. A embarcação navega sob bandeira de Singapura e atendia serviços entre a Ásia e a costa leste da América do Sul.

A Kuehne+Nagel relaciona o navio aos serviços SX1, da Ocean Network Express (ONE); Ipanema, da MSC; e AS2, da Hapag-Lloyd.

No Brasil, a Ocean Network Express (ONE) também atualizou seus clientes sobre o incidente. A companhia afirma que ainda não possui detalhes confirmados sobre contêineres afetados, danos às cargas ou um plano de contingência. O navio também continua sem uma nova previsão de chegada (ETA).

Salvamento pode gerar custos aos importadores

Além dos possíveis danos às mercadorias, os importadores precisam acompanhar os custos relacionados ao salvamento marítimo.

A W.E. Cox Claims Group informou que a SMIT assumiu os trabalhos como salvadora profissional. As partes adotaram os termos do Lloyd’s Open Form (LOF), modelo internacional de contrato usado em operações de salvamento.

Segundo a empresa especializada em sinistros marítimos, os interesses das cargas deverão fornecer uma Salvage Security, ou garantia de salvamento. Essa garantia deverá ocorrer antes do encaminhamento ou da liberação das mercadorias no destino.

O mecanismo garante o pagamento das despesas de salvamento atribuídas aos bens beneficiados pela operação. Por isso, até cargas que não sofreram danos diretos podem enfrentar procedimentos adicionais antes da liberação.

Os envolvidos também acompanham a possibilidade de avaria grossa. A WK Webster, especializada em sinistros marítimos, aponta que o incidente pode gerar reivindicações relacionadas ao salvamento e à avaria grossa. Até agora, porém, nenhuma fonte pública confirmou uma declaração formal de avaria grossa.

Tripulação do Espirito Santo Express deixou o navio com vida

Os 28 tripulantes do Espirito Santo Express deixaram a embarcação e conseguiram sobreviver ao incidente. O graneleiro Aeolian Arrow, de bandeira portuguesa, participou do resgate.

A operação, no entanto, terminou com uma vítima. Segundo o TradeWinds, o imediato do Aeolian Arrow caiu no mar durante os trabalhos de salvamento.

A vítima não integrava a tripulação do Espirito Santo Express. Essa distinção evita a interpretação de que uma das 28 pessoas que abandonaram o porta-contêineres morreu no incidente.

O The Maritime Executive informou que equipes de salvamento chegaram ao Espirito Santo Express e passaram a atuar no local. O veículo também destacou as dificuldades para combater um incêndio de grandes proporções em uma região distante da costa.

Apesar dos trabalhos de salvamento, ainda não há confirmação sobre quando as equipes conseguirão extinguir completamente o fogo. Também permanece indefinido o destino da embarcação.

Para os importadores, quatro questões continuam em aberto: as condições dos contêineres, o destino do navio, os custos do salvamento e o prazo para liberação das cargas recuperadas.