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CNI mantém projeção do PIB brasileiro em 2% e alerta para juros e inflação
A CNI mantém sua projeção de crescimento do PIB em 2% para 2026, refletindo cenário econômico geral sem impacto direto e imediato em operações de comex.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manteve em 2% a projeção do PIB brasileiro para 2026, conforme o Informe Conjuntural do 2º Trimestre, divulgado em 22 de julho. O crescimento esperado é sustentado principalmente pela indústria extrativa, pelo agronegócio e pela resiliência do setor de serviços, mas segue limitado por juros elevados, pressão inflacionária e riscos geopolíticos.
A estimativa da CNI está em linha com a do Banco Central, mas fica abaixo da revisão mais recente do FMI, que elevou sua projeção para o PIB brasileiro em 2026 para 2,4%. O diretor de Economia da CNI, Mario Sergio Telles, avalia que o crescimento continuará apoiado em setores ligados a commodities e em estímulos à demanda, mas ressalta que a política monetária restritiva e as fragilidades fiscais permanecem como obstáculos relevantes.
No campo da política monetária, a CNI reduziu a expectativa de cortes na taxa básica de juros, prevendo apenas dois ajustes de 0,25 ponto percentual ao longo do ano. Isso significa que o crédito caro deve continuar pesando sobre a indústria de transformação e sobre o planejamento financeiro de empresas.
A inflação também preocupa. A CNI revisou para cima sua projeção inflacionária, com pressão vinda de alimentos, combustíveis e serviços. No campo fiscal, o crescimento das despesas públicas deve manter as contas do governo no vermelho, elevando o endividamento ao longo do ano.
O conflito no Oriente Médio é apontado pela CNI como o principal fator de risco externo. A pressão sobre combustíveis, energia e fertilizantes afeta diretamente as cadeias de exportação, sobretudo no agronegócio e na indústria. A entidade avalia que essa pressão pode diminuir ao longo do ano, caso se confirme o aumento esperado da oferta mundial de petróleo.
Outro ponto de atenção são as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A CNI ressalva que eventuais mudanças nesse quadro podem alterar tanto o fluxo de exportações quanto a dinâmica competitiva das importações.
FUP Explica
A manutenção da projeção do PIB em 2% pela CNI confirma um ambiente de crescimento moderado com riscos assimétricos. O ponto mais relevante são os juros altos por mais tempo, câmbio volátil e inflação persistente que formam uma combinação que corrói margens e complica o planejamento financeiro de operações.



