Programa gratuito prepara profissionais para operar carretas de movimentação de contêineres e ocorre após número de mulheres no terminal crescer mais de 220% desde 2021
A DP World abrirá, entre 19 e 25 de outubro, as inscrições para uma nova edição do programa Elas na Operação, iniciativa gratuita voltada à capacitação de mulheres interessadas em trabalhar na operação de carretas de movimentação interna de contêineres, conhecidas como ITV. Realizada ao longo de duas semanas, com atividades no Senai e no terminal da companhia em Santos (SP), a formação busca preparar profissionais para disputar oportunidades em uma área historicamente ocupada majoritariamente por homens, combinando treinamento técnico, desenvolvimento profissional e preparação para processos seletivos.
Com carga horária total de 30 horas, o programa abordará conhecimentos relacionados à operação dos equipamentos portuários e conteúdos comportamentais. Parte do treinamento ocorrerá em um simulador do Senai, enquanto os demais módulos serão realizados dentro do terminal da DP World, permitindo que as participantes tenham contato mais próximo com a rotina da atividade. Segundo a Agência iNFRA, todas as mulheres que concluírem a formação receberão certificado.
Para concorrer a uma vaga, as candidatas precisam possuir Carteira Nacional de Habilitação (CNH) categoria E e curso de Movimentação Operacional de Produtos Perigosos (MOPP) válidos. A capacitação será conduzida por profissionais da própria DP World, que utilizarão a experiência adquirida nas operações do terminal para aproximar o conteúdo apresentado durante o curso das atividades desenvolvidas no ambiente portuário.
Ao Santa Portal, a supervisora de Sustentabilidade da DP World no Brasil, Daniela Biscaro, afirmou que a iniciativa pretende contribuir para que mais mulheres estejam preparadas e confiantes para ocupar funções operacionais. Segundo ela, a primeira turma do programa teve resultado positivo, o que levou a empresa a dar continuidade à iniciativa, aproximando qualificação profissional, inclusão e geração de oportunidades para a comunidade.
A nova edição ocorre em meio ao avanço da participação feminina nas operações da companhia em Santos. Desde 2021, o número de mulheres que trabalham no terminal cresceu mais de 220%. Atualmente, aproximadamente 53% das funcionárias da unidade exercem funções operacionais e mais de 100 atuam diretamente na operação de equipamentos.
A presença feminina também avançou em funções que até poucos anos atrás eram desempenhadas exclusivamente por homens no terminal. Em 2021, a DP World se tornou o primeiro terminal santista a contar com uma mulher na operação de portêiner, equipamento utilizado na movimentação de contêineres entre navios e o cais. No ano seguinte, a companhia também passou a contar com uma operadora de costado.
Com o Elas na Operação, a empresa busca ampliar esse movimento ao criar uma porta de entrada para profissionais que já atendem aos requisitos de habilitação, mas precisam de capacitação específica para disputar vagas na atividade portuária. Além do aprendizado sobre equipamentos, a inclusão de conteúdos voltados a entrevistas e processos seletivos procura preparar as participantes para etapas que antecedem uma eventual contratação.
A iniciativa também aproxima a formação profissional das necessidades práticas do setor. Ao combinar o treinamento em simulador com módulos realizados dentro do próprio terminal, o programa permite que as participantes conheçam tanto os aspectos técnicos da operação quanto a dinâmica do ambiente em que poderão trabalhar.
Embora a conclusão da capacitação não represente garantia de contratação, o programa amplia a qualificação das participantes para processos seletivos e reforça a estratégia da DP World de aumentar a presença feminina nas atividades operacionais. Em um segmento no qual diversas funções ainda são majoritariamente masculinas, a companhia aposta na formação técnica como caminho para ampliar o acesso das mulheres às oportunidades e fortalecer a diversidade dentro das operações portuárias.
FUP Explica
O programa Elas na Operação chama atenção por dois motivos que se reforçam: ele responde a uma mudança real já em curso no terminal de Santos (crescimento de mais de 220% no número de mulheres desde 2021) e, ao mesmo tempo, tenta acelerar essa mudança criando um ponto de entrada estruturado para quem já tem CNH categoria E e MOPP, mas ainda não tem a qualificação específica para a operação portuária. Isso é diferente de uma ação de imagem: há pré-requisito técnico exigido, há carga horária definida e há certificação ao final, o que dá ao programa um caráter de formação profissional de fato.
Do ponto de vista social e do mercado de trabalho, o impacto mais direto é ampliar o pool de candidatas qualificadas para funções operacionais em um setor que historicamente excluiu mulheres não por falta de interesse, mas por falta de acesso à capacitação específica. A inclusão de módulos sobre entrevistas e processos seletivos sugere que a empresa reconhece que a barreira não é só técnica: há também uma dimensão de confiança e preparo para competir em seleções dominadas por candidatos com mais histórico na área.
O ponto de atenção é que a conclusão do curso não garante contratação, como o próprio texto deixa claro. O programa forma, mas não emprega diretamente. Isso significa que o impacto real depende de quantas vagas a DP World e outros terminais de Santos abrirão para esse perfil nos próximos meses. Se a oferta de postos não acompanhar a formação, o programa cumpre um papel de qualificação difusa, útil mas de efeito mais lento sobre a diversidade efetiva nas operações.