
Imagem gerada por IA
CMA CGM ajusta tarifas para envios de carga seca desde costa oeste do Canadá a Oriente Médio e Subcontinente Indiano
Armadora CMA CGM reajusta tarifas de frete marítimo para rotas internacionais, movimento que pode impactar custos de exportação e importação brasileira via transporte marítimo.
A CMA CGM reajustará, a partir de 30 de agosto de 2026, as tarifas de frete marítimo para cargas secas embarcadas na costa oeste do Canadá com destino ao Subcontinente Indiano, ao Golfo do Oriente Médio e ao Mar Vermelho. A medida, denominada iniciativa de restauração de fretes (RRI02), prevê cobranças de até USD 600 por contêiner e será adicionada aos valores já praticados nas rotas, segundo informações divulgadas pelo Portal Portuario.
Os reajustes variam de acordo com o destino e o tamanho do contêiner. Para o Subcontinente Indiano, a companhia estabeleceu uma cobrança de USD 150 por contêiner de 20 pés e de USD 300 por unidades de 40 e 45 pés.
Para cargas destinadas ao Golfo do Oriente Médio e ao Mar Vermelho, os valores serão de USD 300 por contêiner de 20 pés e de USD 600 por unidades de 40 e 45 pés.
Equipamentos especiais não estarão sujeitos à cobrança. Segundo a CMA CGM, os valores da RRI02 serão adicionados aos fretes básicos praticados em cada trecho e não substituirão as tarifas existentes.
Outras sobretaxas poderão ser aplicadas
Além do reajuste, a armadora poderá aplicar cobranças adicionais às tarifas. Entre elas estão sobretaxas de combustível, taxas de manuseio nos terminais de origem e destino (THC), custos adicionais relacionados à segurança e à proteção, além de eventuais cobranças locais ou decorrentes de contingências operacionais.
O reajuste ocorre em meio a novas pressões sobre as rotas marítimas do Oriente Médio. As tensões no Estreito de Ormuz provocaram alta nos preços do bunker fuel, combustível utilizado pelos navios, que registraram aumento de 35% em uma semana e ultrapassaram US$ 1.000 por tonelada métrica em centros de abastecimento como Singapura, Hong Kong e Fujairah.
A região do Estreito de Ormuz concentra aproximadamente 20% do transporte mundial de combustíveis, o que aumenta a exposição das cadeias logísticas às instabilidades locais.
CMA CGM já havia anunciado sobretaxa de combustível
Antes da RRI02, a CMA CGM anunciou uma sobretaxa emergencial de combustível (Emergency Fuel Surcharge, ou EFS), com vigência a partir de 1º de agosto de 2026. A cobrança foi relacionada pela companhia à escalada das tensões no Estreito de Ormuz.
A nova iniciativa de restauração de fretes soma-se, portanto, às cobranças já existentes nas linhas que conectam a América do Norte ao Subcontinente Indiano e ao Oriente Médio.
FUP Explica
O movimento da CMA CGM é mais um capítulo de uma sequência de reajustes que vem se acumulando desde que as tensões no Estreito de Ormuz voltaram a pressionar os custos operacionais das armadoras. A lógica é conhecida: quando o bunker dispara e as rotas ficam mais arriscadas ou mais longas, as companhias repassam o custo por meio de sobretaxas e iniciativas de restauração de fretes. O problema é que esses repasses se somam, e o embarcador que já pagava a EFS de agosto agora enfrenta mais uma camada de custo por cima do frete básico.
Para quem opera com rotas entre América do Norte e Oriente Médio ou Subcontinente Indiano, o impacto é direto e imediato: a conta de frete cresce antes mesmo de considerar THC, segurança e eventuais cobranças locais, que a própria armadora deixou em aberto. Essa estrutura de recargos empilhados é padrão na indústria, mas torna o custo final difícil de prever no momento da contratação, o que complica o planejamento financeiro de exportadores e importadores que dependem dessas rotas.
O ponto de atenção mais amplo é que reajustes em rotas específicas tendem a criar pressão de referência sobre outras linhas. Quando uma armadora do porte da CMA CGM sinaliza aumento em determinado corredor, concorrentes costumam seguir o movimento, e o efeito pode se espalhar para rotas adjacentes. Quem negocia contratos de frete de longo prazo ou renova acordos nas próximas semanas vai encontrar um ambiente de precificação mais tenso do que o de meses atrás.




