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Brasil fica a US$ 2 bilhões de superar os EUA nas exportações do agro
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Brasil fica a US$ 2 bilhões de superar os EUA nas exportações do agro

25/08/2026·585 palavras
Brasil aproxima-se dos EUA em exportações agrícolas, atingindo US$ 169 bilhões em 2025 (68% acima de cinco anos atrás), enquanto as vendas americanas crescem apenas 14% no mesmo período.

As exportações do agronegócio brasileiro atingiram US$ 169,2 bilhões em 2025, colocando o país a apenas US$ 2 bilhões de distância dos Estados Unidos, que registraram US$ 171 bilhões no mesmo período. Os dados foram divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária. As vendas externas do setor responderam por 48,5% de todas as exportações brasileiras no ano.

A aproximação entre os dois países é resultado de trajetórias opostas. Em cinco anos, as exportações brasileiras cresceram 68%, enquanto as americanas avançaram apenas 14% no mesmo intervalo. Com isso, a diferença absoluta entre os dois países caiu de US$ 56 bilhões no início do século para US$ 2 bilhões em 2025, uma redução de 97%. O Financial Times, citado pelo AgFeed, observou que essa margem equivale a pouco mais de quatro dias de exportações brasileiras.

O complexo soja liderou a pauta em 2025, com US$ 52,9 bilhões e 132 milhões de toneladas embarcadas, o que representa 31,3% das exportações do agronegócio. As carnes ocuparam a segunda posição, com US$ 31,8 bilhões e 10,4 milhões de toneladas. No primeiro semestre de 2026, as exportações de milho cresceram 20,6% em faturamento em relação ao mesmo período de 2025.

A expansão brasileira foi impulsionada sobretudo pela demanda asiática. Entre 2022 e 2025, as exportações do agronegócio brasileiro para a Ásia cresceram 9%, enquanto as americanas caíram 25% no mesmo período. Para a China especificamente, o Brasil ampliou suas vendas em 8% nos últimos cinco anos, ao passo que os EUA registraram queda de 49%, segundo o Brasil Agro.

Do lado americano, há limitações estruturais: o país enfrenta o menor rebanho bovino dos últimos 70 anos e tem pouco espaço para expandir sua área de produção. A política comercial do governo Donald Trump também contribuiu para o recuo, com desgaste nas relações com parceiros como China e Canadá e retração nas vendas para o bloco USMCA. Nos EUA, a soja perdeu o posto de principal produto de exportação em receita para o milho, o que permitiu ao Brasil assumir a liderança isolada no mercado internacional de oleaginosas.

Emprego, tecnologia e desafios climáticos

O setor emprega cerca de 28,4 milhões de pessoas no Brasil, segundo levantamento do Cepea em parceria com a CNA. Uma mudança tecnológica em curso é a adoção de drones agrícolas: desde 2019, a DJI Agriculture treinou mais de 20 mil pilotos certificados no país, com uma rede de mais de 400 pontos de assistência técnica nos 27 estados. Pesquisa amostral de 2026 identificou que jovens com menos de 30 anos representam mais de 40% dos usuários dessa tecnologia, e os menores de 50 anos somam 85% do total.

Apesar do desempenho exportador, o setor convive com perdas climáticas expressivas. O economista Bráulio Borges, estima que o clima retirou pelo menos R$ 200 bilhões do PIB do agronegócio entre 1985 e 2025. A seca de 2021 e 2022 custou R$ 72 bilhões à soja brasileira, e na safra 2023/2024 o calor extremo fez a produção de soja ficar 10% abaixo do esperado, conforme estudo da FAO com a Organização Meteorológica Mundial. Em relatório divulgado em novembro de 2025, a FAO calculou que desastres climáticos causaram perdas de US$ 3,26 trilhões à agricultura mundial nos últimos 33 anos, uma média de US$ 98,8 bilhões anuais.

No primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras do agronegócio subiram 6% na comparação anual, chegando a US$ 87 bilhões, segundo o Financial Times. Projeções do mesmo veículo indicam que o Brasil pode ultrapassar os EUA como maior exportador agrícola do mundo em 2026.

FUP Explica

A convergência entre Brasil e EUA nas exportações agrícolas não é um fenômeno isolado: ela reflete uma combinação de fatores estruturais que dificilmente se revertem no curto prazo. Do lado americano, o menor rebanho bovino em 70 anos e a área de produção praticamente estagnada criam um teto natural para o crescimento. Do lado brasileiro, a expansão da fronteira agrícola, a diversificação de mercados e a consolidação da China como principal destino formam uma base sólida, mesmo que sujeita a riscos climáticos e de demanda.

O dado mais relevante para entender o que está em jogo é a velocidade da mudança: uma diferença de US$ 56 bilhões que caiu para US$ 2 bilhões em pouco mais de duas décadas. Isso significa que qualquer variação de câmbio, safra ou política comercial pode ser suficiente para inverter a posição entre os dois países em 2026. Para o Brasil, ultrapassar os EUA seria um marco simbólico e político de peso, mas o desafio real está em sustentar esse crescimento diante de perdas climáticas que o Estadão estima em pelo menos R$ 200 bilhões ao PIB do setor nos últimos 40 anos.

Há também uma dimensão geopolítica relevante. O recuo americano no mercado asiático, especialmente na China, não é acidental: ele é em parte consequência das tensões comerciais da era Trump, e o Brasil ocupou esse espaço de forma consistente. Enquanto os EUA perderam 49% das vendas para a China em cinco anos, o Brasil cresceu 8% no mesmo destino. Essa assimetria tende a aprofundar a dependência chinesa do agronegócio brasileiro, o que é ao mesmo tempo uma vantagem competitiva e um fator de vulnerabilidade, já que concentra risco em um único parceiro de grande peso.

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