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Maersk amplia sobretaxas terrestres e pressiona custos logísticos
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Maersk amplia sobretaxas terrestres e pressiona custos logísticos

29/07/2026·385 palavras
Maersk implementa novas sobretaxas de combustível em transporte rodoviário e intermodal em México, Polônia, Alemanha e outros países, citando custos energéticos elevados ligados à situação no Oriente Médio. Precedente editorial reforça relevância para profissionais de comex.

A Maersk anunciou a expansão de suas sobretaxas de combustível para serviços de transporte terrestre e intermodal em múltiplos mercados da Europa e das Américas, com vigência a partir de agosto de 2026. A medida atinge operações no México, na Polônia, na região DACH (Alemanha, Áustria e Suíça) e no Benelux (Bélgica, Países Baixos e Luxemburgo), e tem como justificativa oficial a elevação dos custos energéticos decorrente da instabilidade contínua no Oriente Médio.

As alíquotas variam conforme o país e o tipo de transporte utilizado. No México, a sobretaxa será de 2% sobre todos os serviços de transporte terrestre — tanto para importação quanto para exportação —, com revisão mensal dos percentuais e vigência a partir de 1º de agosto de 2026.

Na Polônia, as cobranças serão aplicadas entre 3 e 17 de agosto, com alíquotas diferenciadas: 12% para o transporte rodoviário e 6% para operações combinadas rodoferroviárias. A revisão ocorrerá a cada duas semanas.

Nas regiões DACH e Benelux, a estrutura é idêntica entre os dois blocos: 5% para transporte rodoviário, 5% para movimentações por barcaça e operações combinadas (BCO) e 2,5% para operações rodoferroviárias. O ciclo de revisão quinzenal segue o mesmo modelo adotado para a Polônia.

A adoção de sobretaxas com revisão periódica — mensal ou quinzenal, conforme o mercado — impõe um desafio concreto ao planejamento financeiro de empresas brasileiras com operações nesses corredores. Contratos de longo prazo que não prevejam cláusulas de reajuste por variação de combustível ficam expostos a custos adicionais não orçados, o que pode comprometer margens em negociações já fechadas.

Vale lembrar que a Maersk havia estabelecido, em rodada anterior, um mecanismo de ajuste progressivo para o transporte rodoviário com escala de percentuais vinculada à variação do preço do diesel em relação a um valor de referência. O modelo atual segue lógica semelhante, mas com alíquotas fixas por período de revisão — o que simplifica o cálculo, porém mantém a imprevisibilidade de ciclo a ciclo.

Um ponto que merece atenção é a diferenciação de alíquotas entre modais. Em todos os mercados europeus anunciados, o transporte rodoviário é sistematicamente mais onerado do que as alternativas ferroviárias ou hidroviárias. Isso pode levar operadores a reavaliar a composição modal de suas cadeias logísticas na Europa, priorizando soluções intermodais com maior participação de trilhos ou barcaças onde essa substituição for viável.

FUP Explica

As sobretaxas aplicadas no trecho terrestre compõem o custo total do frete porta a porta. Para cargas com origem ou destino em regiões do interior da Europa ou do México, o impacto pode ser proporcionalmente mais expressivo do que a própria variação do frete marítimo — especialmente quando o trecho inland representa uma parcela relevante da rota total.

Esse movimento da Maersk se insere em uma sequência mais ampla de ajustes tarifários motivados pela instabilidade no Oriente Médio. A CMA CGM, por exemplo, havia anunciado uma sobretaxa emergencial de combustível com vigência a partir de 1º de agosto de 2026, no segmento marítimo. A extensão das cobranças ao modal terrestre e intermodal em mercados tão distintos quanto México e Europa Central sinaliza que a pressão de custos energéticos permanece disseminada — e sem prazo definido de normalização.

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