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ANTT confirma dois leilões ferroviários até o fim de 2026
Logística

ANTT confirma dois leilões ferroviários até o fim de 2026

06/08/2026·552 palavras
Agência Nacional de Transportes Terrestres anuncia leilões de ferrovias (EF-118 e corredor Minas-Rio) até dezembro, relevante para infraestrutura de escoamento de commodities.

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) trabalha para realizar ao menos dois leilões ferroviários até o fim de 2026, ambos previstos para a primeira quinzena de dezembro. O anúncio foi feito pelo diretor-geral da agência, Guilherme Theo Sampaio, durante o 8º Brasília Summit, e divulgado pelo Transporte Moderno.

Os dois projetos prioritários são a EF-118, conhecida como Anel Ferroviário do Sudeste, e o Corredor Minas-Rio. Enquanto a EF-118 seguirá o modelo tradicional de concessão, o Corredor Minas-Rio será submetido a chamamento público, um formato inédito no setor ferroviário brasileiro, segundo a ANTT.

A EF-118 tem extensão total de aproximadamente 571 quilômetros e está planejada para conectar Nova Iguaçu (RJ) a Santa Leopoldina (ES), ampliando a integração da malha ferroviária da Região Sudeste e o acesso a complexos portuários. A ANTT define como trecho prioritário a ser implantado pelo futuro concessionário o segmento entre Santa Leopoldina (ES) e São João da Barra (RJ), com cerca de 246 km.

Um segundo trecho, de aproximadamente 325 km entre São João da Barra (RJ) e Nova Iguaçu (RJ), está enquadrado como investimento adicional contingente, dependente de decisão do Poder Concedente.

Sobre os valores do projeto, há divergência entre as fontes consultadas. A ANTT registra investimentos estimados em R$ 7,7 bilhões. Dados do Ministério dos Transportes citados pelo Trilhos do Rio apontam R$ 6,6 bilhões para implantação, com custos operacionais projetados de aproximadamente R$ 3,61 bilhões ao longo do período de concessão e aportes cruzados de outras concessões estimados em cerca de R$ 4,1 bilhões.

A projeção de demanda, conforme o Trilhos do Rio, considera entrada em operação a partir de 2035, com capacidade para movimentar até 24 milhões de toneladas de cargas por ano. Os segmentos previstos incluem minério de ferro, produtos siderúrgicos, fertilizantes, grãos, granéis líquidos, cargas gerais e contêineres. A ANTT aponta que a ferrovia se conectará futuramente à Estrada de Ferro Vitória-Minas e à malha da MRS Logística.

O Corredor Minas-Rio abrange trechos da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) entre Minas Gerais e o Porto de Angra dos Reis (RJ). A proposta é identificar, por meio de chamamento público, interessados em assumir os ativos e apresentar soluções para recuperação e exploração da malha. Segundo a ANTT, o processo deverá ser o primeiro chamamento público ferroviário do país, com potencial de servir de referência para a destinação de outros trechos devolvidos por concessionárias.

A modelagem do Corredor Minas-Rio ainda estava sob análise do Tribunal de Contas da União (TCU) em agosto de 2026, e precisará ser aprovada antes da realização do certame. O projeto deverá atrair grupos ligados à mineração, ao agronegócio e operadores ferroviários.

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Outros projetos e o calendário da ANTT

Além dos dois certames prioritários, outros quatro projetos aguardam avaliação do TCU e também poderão ser ofertados ao mercado ainda em 2026, caso as análises sejam concluídas dentro do calendário previsto, conforme informou a ANTT. Para os projetos que não chegarem à etapa de oferta até dezembro, a agência prevê iniciar 2027 com estruturação avançada para novos certames ao longo do primeiro semestre.

A agenda ferroviária combina concessões, renovações contratuais, chamamentos públicos e autorizações para implantação de novas linhas, instrumento previsto na Lei nº 14.273/2021. Em 2025, as ferrovias brasileiras transportaram 104,4 milhões de toneladas de itens agrícolas, o equivalente a 19% do total movimentado nos trilhos do país, segundo o InvestNews.

FUP Explica

O ponto mais relevante aqui não é o número de leilões, mas o formato inédito do Corredor Minas-Rio. Um chamamento público ferroviário nunca foi feito no Brasil, e a ANTT deixou claro que ele pode virar modelo para outros trechos devolvidos por concessionárias, o que é uma mudança de postura regulatória importante. O problema é que a modelagem ainda está no TCU, e aprovação de tribunal de contas tem prazo incerto, o que coloca em risco o calendário de dezembro para esse certame especificamente.

No caso da EF-118, o projeto tem apelo mais imediato porque conecta o interior do Sudeste a portos do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, reduzindo a dependência do transporte rodoviário para commodities como grãos, fertilizantes e minério de ferro. A divergência nos números de investimento entre ANTT e Ministério dos Transportes (R$ 7,7 bilhões contra R$ 6,6 bilhões) é um sinal de que a modelagem financeira ainda não está completamente fechada, o que pode gerar questionamentos de potenciais investidores durante o processo.

Para o setor privado, o calendário apertado é o principal risco. Dois leilões complexos na primeira quinzena de dezembro, com um deles dependendo de aprovação do TCU, é uma agenda que exige que tudo corra sem atraso, o que raramente acontece em projetos de infraestrutura dessa escala. Se os certames saírem, o Brasil dá um passo concreto na renovação da malha ferroviária; se escorregarem para 2027, a narrativa de retomada do setor perde força.

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