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Economia

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Mundo precisa de € 50 trilhões até 2030, mas faltam recursos para 60% da conta

04/11/2026 · 604 palavras

Santander estima investimentos de € 50 trilhões entre 2026 e 2030; transição climática concentra a maior necessidade de recursos

Entre a instalação de redes elétricas, o avanço da inteligência artificial e os gastos com defesa, o mundo enfrenta uma conta difícil de financiar. Em relatório divulgado na terça-feira (3), em Madri, o Santander estimou um déficit de financiamento de aproximadamente € 30 trilhões entre 2026 e 2030. Isso porque os investimentos necessários chegam a € 50 trilhões, enquanto as fontes disponíveis e seu crescimento esperado não devem cobrir toda a demanda.

As estimativas são preliminares e apontam a transição energética como principal componente dessa diferença. Somadas as ações para reduzir emissões e adaptar economias às mudanças climáticas, faltariam entre € 22 trilhões e € 26 trilhões. Nesse conjunto, entram redes elétricas, energias renováveis, armazenamento e eletrificação.

Diante desse cenário, o banco defende a colaboração entre governos e iniciativa privada. Segundo o estudo, os orçamentos públicos, isoladamente, não conseguem atender à dimensão dos investimentos previstos. Por isso, as instituições financeiras teriam de estruturar projetos, distribuir riscos, mobilizar depósitos e apoiar empresas.

A discussão também envolve o papel do sistema bancário no crescimento europeu. Durante a conferência internacional promovida pela instituição, a presidente executiva Ana Botín pediu condições para que os bancos financiem investimentos. “A Europa precisa de um sistema bancário construído para o crescimento, não apenas para a estabilidade”, afirmou, conforme a Reuters.

Déficit de financiamento atinge energia e tecnologia

No detalhamento publicado no site do Santander, a necessidade de financiamento climático chega a cerca de € 35 trilhões até 2030. Entretanto, mesmo com o aumento dos investimentos, o banco projeta que uma parcela expressiva dessa demanda continuará sem cobertura.

Além da energia, a inteligência artificial exigirá recursos próximos de € 10 trilhões, com déficit entre € 2,5 trilhões e € 4 trilhões. A conta considera infraestrutura física, como centros de dados, chips, redes elétricas, fibra e refrigeração, além de modelos, aplicações e capacidades digitais. Contudo, o estudo ressalva que a lacuna ainda não incorpora as maiores necessidades energéticas dos centros de dados.

Ao mesmo tempo, o envelhecimento populacional acrescenta outra pressão. Como destacou o site Traders Union ao repercutir o levantamento, esse movimento eleva despesas com saúde e exige mais dos sistemas previdenciários e dos orçamentos públicos. Assim, os governos precisam acomodar uma obrigação persistente enquanto buscam financiar novos projetos.

Já na defesa, o Santander trabalha com cenários de gastos equivalentes a 3% ou 3,5% do Produto Interno Bruto. Nessas condições, calcula uma conta próxima de € 4,7 trilhões até 2030 para rearmamento, modernização e resiliência estratégica. Além disso, o relatório menciona necessidades não militares em minerais críticos, baterias, cibersegurança e cadeias de suprimentos.

Dívida pressiona governos e dificulta financiamento

Enquanto as necessidades crescem, o endividamento restringe a capacidade de resposta dos governos. Na conferência em Madri, a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, apontou a dívida elevada como um risco ao crescimento mundial. Segundo ela, a inflação pressiona os juros e torna seu pagamento mais pesado, com efeitos também sobre empresas e famílias.

Por sua vez, Botín defendeu direcionar mais poupança europeia à economia regional. Segundo a executiva, as famílias possuem cerca de € 32 trilhões em patrimônio financeiro líquido e poupam aproximadamente € 600 bilhões por ano. No entanto, cerca de metade dessa poupança anual segue para o exterior, principalmente para os Estados Unidos.

Nesse contexto, o financiamento climático também deverá integrar as discussões da COP31. A conferência das Nações Unidas ocorrerá de 9 a 20 de novembro, em Antalya, na Turquia, conforme o calendário oficial da organização. Entre os temas esperados está a mobilização de recursos para países em desenvolvimento.