Estimativa considera o uso dos equipamentos nos países compradores; redução equivale às emissões anuais do Brasil pelo consumo de combustíveis fósseis
As tecnologias limpas da China exportadas em 2026 poderão evitar 450 milhões de toneladas de dióxido de carbono por ano nos países compradores. Para isso, os equipamentos precisam entrar em operação e substituir o uso de combustíveis fósseis. O Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo (CREA) divulgou a estimativa nesta quinta-feira (29), às vésperas da COP31.
Segundo a Reuters, o volume equivale aproximadamente às emissões anuais brasileiras decorrentes do consumo de combustíveis fósseis. Além disso, representa 2% das emissões anuais do restante do mundo, excluída a China. A comparação, porém, não considera todas as emissões do Brasil, que incluem atividades como agropecuária e desmatamento.
A projeção abrange painéis solares, turbinas eólicas, veículos elétricos e baterias. Com esse conjunto, o resultado supera os 370 milhões de toneladas de CO₂ evitados anualmente pelos equipamentos exportados no ano anterior.
Entre as tecnologias analisadas, a energia solar responde pela maior parcela do benefício estimado. Isso ocorre sobretudo em países com elevada incidência de sol e sistemas elétricos dependentes de fontes fósseis.
Tecnologias limpas da China ampliam presença no Sul Global
O avanço acompanha o crescimento dos embarques chineses. Nos primeiros nove meses de 2026, as exportações de veículos elétricos aumentaram 61% sobre o mesmo período do ano anterior. Já as vendas externas de turbinas eólicas cresceram 45%. Por sua vez, os embarques de baterias avançaram 39%, enquanto os de equipamentos solares subiram 22%.
A Fortune, em reportagem da Associated Press, associa a expansão à busca por alternativas diante da crise energética provocada pela guerra no Irã. Nesse contexto, as interrupções no transporte pelo Estreito de Ormuz atingiram especialmente economias asiáticas dependentes da importação de petróleo e gás. Com isso, aumentou o interesse por geração renovável e eletrificação.
Assim, o Sudeste Asiático ganhou destaque entre os compradores. Dados da organização Ember apontam crescimento de quase 160% nas exportações chinesas de energia limpa para a região até setembro, na comparação anual. Paralelamente, Tailândia, Vietnã e Filipinas adotaram incentivos à energia solar e aos veículos elétricos.
O Carbon Brief informa que o Sul Global concentra 76% das emissões potencialmente evitadas durante a vida útil dos equipamentos exportados em 2026. Caso as tendências de vendas continuem até dezembro, o benefício acumulado poderá alcançar 8,4 bilhões de toneladas de CO₂.
Esse total, no entanto, considera todo o período de utilização dos produtos. Em projetos solares e eólicos, o funcionamento pode durar décadas. Portanto, o número não representa uma redução de 8,4 bilhões de toneladas em um único ano.
Além disso, o estudo considera as emissões da fabricação. Segundo a análise, os equipamentos compensariam esse carbono, em média, após cerca de seis meses de uso.
Exportações crescem e pressionam fabricantes concorrentes
Embora abra novos mercados, a expansão das tecnologias limpas da China também aumenta a pressão sobre fabricantes concorrentes. Segundo o levantamento, a maior oferta reduz os preços por unidade e afeta a receita de empresas já estabelecidas. Ao mesmo tempo, facilita o acesso dos compradores aos equipamentos.
Em artigo de análise, o Global Times defende que barreiras comerciais podem dificultar a disseminação desses produtos. Por isso, o texto sustenta que a COP31 deveria discutir o tema. Essa posição acompanha o interesse de Pequim em contestar tarifas sobre equipamentos de energia limpa durante a conferência.
Dessa forma, o debate reúne objetivos climáticos e interesses industriais. Para os países importadores, preços menores podem facilitar investimentos e reduzir a dependência de combustíveis fósseis. Por outro lado, governos procuram preservar fabricantes locais e desenvolver suas próprias cadeias produtivas.
As projeções dependem, contudo, da continuidade das exportações e do uso efetivo dos equipamentos. Especialistas independentes ouvidos pela Associated Press consideraram as estimativas compatíveis com a dimensão das vendas chinesas. Entretanto, não conseguiram validar os dados do estudo.