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Geopolítica

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China aumenta reserva obrigatória dos bancos para conter valorização do yuan

03/11/2026 · 596 palavras

Exigência passará de 4% para 6% em 15 de novembro; analistas avaliam que a decisão pode moderar os ganhos, mas terá alcance limitado para reverter a trajetória cambial

Após uma sequência de ganhos que levou o yuan ao maior nível desde 2022, o banco central da China anunciou nesta terça-feira (3), em Pequim, uma mudança para moderar a valorização da moeda. A partir de 15 de novembro, as instituições financeiras terão de manter como reserva 6% dos depósitos em moeda estrangeira, ante os atuais 4%. Com isso, menos recursos ficarão disponíveis no sistema bancário.

A reação apareceu logo nas negociações. No mercado doméstico chinês, o yuan chegou a perder 0,37% diante do dólar, que alcançou 6,6728 yuans. A moeda chinesa atingiu, assim, seu menor nível desde 23 de outubro e caminhava para a maior queda diária desde 15 de maio. Fora da China continental, também houve desvalorização.

Segundo a Reuters, o aumento da exigência deverá reter cerca de US$ 24 bilhões adicionais como reservas, conforme cálculo da agência com base em dados oficiais. Para Marco Sun, analista-chefe de mercados financeiros do MUFG na China, a iniciativa responde à forte apreciação do yuan e procura evitar expectativas excessivamente concentradas na continuidade desse movimento.

Ao exigir que os bancos reservem uma parcela maior dos depósitos, a autoridade monetária reduz a disponibilidade de moeda estrangeira. Na avaliação de Sun, absorver parte da liquidez em dólares pode diminuir o impulso de valorização do yuan.

Já o objetivo formal anunciado pelo Banco Popular da China (PBOC) é reforçar a gestão da liquidez em moeda estrangeira nas instituições financeiras. O comunicado, reproduzido pela Xinhua a partir do canal oficial do banco central, confirma o aumento de dois pontos percentuais e a data de entrada em vigor.

Exportações sustentam os ganhos da moeda

Apesar do recuo após o anúncio, o yuan acumula valorização superior a 5% frente ao dólar neste ano e figura entre as moedas asiáticas de melhor desempenho. Exportações robustas, elevados superávits comerciais e conversões de receitas externas pelas empresas ajudam a explicar essa trajetória.

Quando as companhias trocam suas receitas em moeda estrangeira por yuans, oferecem divisas e compram a moeda chinesa. Esse fluxo contribui para a pressão de valorização, sobretudo quando a oferta desses recursos supera a demanda.

Por isso, participantes do mercado avaliam que a mudança nas reservas obrigatórias pode frear o ritmo dos ganhos, mas não necessariamente inverter sua direção. Zhaopeng Xing, estrategista sênior para a China do ANZ, considera que a decisão terá significado principalmente simbólico.

Segundo Xing, o volume de conversões feitas pelas empresas contribuiu para o atual excesso de oferta de moeda estrangeira. Assim, elevar a parcela retida pelos bancos não seria suficiente para corrigir esse desequilíbrio.

Referência diária também sinaliza cautela

Em paralelo, o PBOC estabeleceu nesta terça-feira sua taxa diária de referência em 6,7150 yuans por dólar. O valor ficou 661 pips mais fraco para a moeda chinesa do que a estimativa calculada pela agência, o maior desvio nessa direção desde 10 de setembro.

Ao longo do ano, o banco central tem conduzido essa referência para níveis que representam um yuan mais forte, embora abaixo das expectativas do mercado. Para observadores, essa diferença indica uma tentativa de administrar a velocidade da apreciação.

A decisão sobre as reservas também inverte o movimento de setembro de 2023, quando a instituição reduziu a exigência para enfrentar a desvalorização cambial e a saída de capitais. Ainda assim, o vice-presidente do PBOC, Zou Lan, reiterou nesta terça-feira, em um fórum financeiro em Hong Kong, que o mercado deve exercer papel decisivo na formação da taxa de câmbio.