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Geopolítica

Suspeita de ataque cibernético faz freezers chegarem a 50°C e leva ao descarte de alimentos na Europa

03/11/2026 · 574 palavras

Ocorrências em sete países provocam descarte de alimentos; alerta britânico sobre inteligência artificial reforça preocupação com serviços essenciais

Durante a madrugada de segunda-feira (2), supermercados de pelo menos sete países europeus enfrentaram uma ameaça à conservação dos alimentos: refrigeradores e freezers chegaram a registrar 50°C, em incidentes que algumas redes atribuíram a ataques cibernéticos. A alteração remota das temperaturas levou ao descarte de produtos e levantou preocupações sobre a segurança do abastecimento. A autoria e a motivação, porém, permanecem desconhecidas.

Houve relatos na Bélgica, Estônia, Irlanda, Finlândia, Luxemburgo, Holanda e Suécia. As ocorrências repetem características do ataque registrado em outubro na França, quando invasores assumiram o controle de equipamentos de refrigeração e provocaram perdas de alimentos. Entretanto, a semelhança entre os episódios não comprova que tenham os mesmos responsáveis.

Na nova onda, apareceram relatos envolvendo Carrefour, Intermarché e Ikea na Bélgica, Coop e ICA na Suécia, Delhaize em Luxemburgo, Kesko na Finlândia e SuperValu na Irlanda. Diante dos incidentes, a União Europeia condenou o que descreveu como uma tentativa deliberada de prejudicar a cadeia de abastecimento alimentar e a confiança dos consumidores.

Segundo o The Guardian, Rafe Pilling, diretor sênior de inteligência de ameaças da Sophos, apontou duas hipóteses: uma operação ligada a um Estado para demonstrar capacidade de interferência ou um invasor agindo por motivos pessoais. Até a publicação das reportagens, nenhum grupo havia reivindicado os ataques ou apresentado uma exigência de resgate.

Conexão remota expõe equipamentos

Os sistemas de gestão de refrigeradores comerciais permitem acompanhar e ajustar temperaturas pela internet. Embora facilitem a manutenção, esses recursos podem deixar os equipamentos expostos quando falhas de segurança permanecem sem correção.

Além disso, atualizar esses sistemas nem sempre é uma tarefa simples para o varejo. Nick Jackson, diretor de operações cibernéticas da Bitdefender, explicou que algumas correções exigem desligamentos temporários. Essa necessidade dificulta a manutenção de máquinas que precisam conservar alimentos continuamente. Em outros casos, os responsáveis desconhecem o problema ou não tratam a atualização como prioridade.

Na Suécia, a Coop informou que parte dos equipamentos utilizava uma conexão móvel 4G que aumentava a exposição. Já a ICA identificou a Danfoss como fornecedora de seu sistema, empresa também mencionada nos episódios franceses. Esses relatos, isoladamente, não esclarecem o caminho usado pelos invasores em cada estabelecimento.

Por outro lado, a empresa belga de refrigeração Sabcobel afirmou que as correções iniciadas depois do ataque de outubro na França ajudaram a limitar os efeitos da nova ocorrência.

Alerta britânico aponta risco com IA até 2028

A preocupação com equipamentos conectados também aparece no alerta divulgado nesta terça-feira (3) pelo Centro Nacional de Segurança Cibernética do Reino Unido, o NCSC. Em publicação oficial, o órgão considera altamente provável que um ataque de ransomware contra infraestrutura crítica britânica envolva software malicioso com inteligência artificial até 2028.

Nesse tipo de ataque, criminosos bloqueiam arquivos ou sistemas e cobram para liberá-los. Segundo a avaliação britânica, a adoção de IA pode aumentar a escala e a eficiência de operações que envolvem extorsão, manipulação de pessoas e exploração de vulnerabilidades.

O documento apresenta uma avaliação de risco futuro. Portanto, não comprova participação de inteligência artificial nos incidentes dos supermercados nem identifica seus responsáveis.

Ao abordar o problema, o diretor do NCSC, Richard Horne, relacionou a interrupção de equipamentos de refrigeração na Europa à fragilidade das tecnologias que controlam processos físicos. Para o órgão, corrigir vulnerabilidades e enfrentar a falta de investimentos em segurança são medidas urgentes para proteger operações das quais a população depende.