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Economia

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Reino Unido deve elevar juros, enquanto Japão reforça sinais de aperto monetário

03/11/2026 · 584 palavras

Energia mais cara pressiona a decisão britânica; em Tóquio, salários e expectativas sustentam avaliação de inflação próxima da meta

om a energia mais cara pressionando os preços, o Banco da Inglaterra chega à reunião de quinta-feira (5) sob expectativa de elevar os juros pela primeira vez desde agosto de 2023. Enquanto isso, no Japão, um relatório divulgado na segunda-feira (2) reforçou os argumentos para novos aumentos, ao identificar avanços na consolidação da inflação em torno da meta de 2%.

No Reino Unido, economistas consultados projetam uma elevação de 0,25 ponto percentual, de 3,75% para 4%. Entretanto, a possível mudança não representa um compromisso com a sequência de aumentos esperada pelos investidores. No Japão, por sua vez, o documento apresenta uma avaliação sobre preços e salários, sem anunciar uma nova decisão de juros.

Segundo a Reuters, Stefan Koopman, estrategista sênior de macroeconomia do Rabobank, avalia que a pressão inflacionária tem reduzido a margem de escolha dos dirigentes britânicos. Ainda assim, os economistas divergem sobre a necessidade de outras altas após novembro, enquanto os mercados projetam três ou quatro aumentos adicionais de 0,25 ponto em 2027.

Embora os dois cenários favoreçam discussões sobre juros maiores, os motivos têm características próprias. Os britânicos procuram evitar que o choque energético associado à guerra no Irã provoque uma inflação persistente. Já os japoneses avaliam como os reajustes salariais e as expectativas de empresas e famílias sustentam a evolução dos preços.

Energia pressiona decisão britânica

A inflação britânica alcançou 3,5% nos 12 meses até setembro, acima dos 3% previstos pelo banco central em julho. Além disso, em setembro, a instituição alertou que o índice poderia ultrapassar 4% no início de 2027, diante do encarecimento da energia.

Nesse contexto, o presidente do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey, afirmou que esperar provas conclusivas dos chamados efeitos de segunda ordem pode levar a uma reação tardia. Esses efeitos ocorrem quando a alta inicial dos custos passa a influenciar reajustes salariais e decisões de preços das empresas.

Apesar da preocupação, o comitê permanece dividido sobre a intensidade da resposta. Em setembro, os dirigentes mantiveram a taxa por seis votos a três. Agora, a pesquisa com economistas aponta uma possível votação de sete a dois pela elevação.

A dúvida seguinte envolve o percurso de 2027. As apostas dos investidores levariam a taxa para uma faixa entre 4,75% e 5%. Contudo, Alexander Harvey, economista da Oxford Economics, considera possível que a ata ou as declarações de Bailey indiquem uma trajetória inferior àquela prevista pelos mercados.

Japão observa salários e expectativas

No relatório trimestral, o Banco do Japão identificou avanços graduais na consolidação da inflação subjacente, que procura captar tendências mais persistentes dos preços, em torno de 2%. Para essa avaliação, examinou expectativas e o comportamento de empresas na definição de salários e preços.

As projeções das empresas convergem gradualmente para a meta, embora as expectativas das famílias ainda apresentem grande dispersão. Ao mesmo tempo, aumentou a participação de reajustes salariais compatíveis com inflação de 2%, acrescida do crescimento da produtividade.

Diante desse quadro, a autoridade japonesa avalia que elevações dos juros podem aliviar as pressões inflacionárias e dar sustentação ao consumo. O documento, porém, não estabelece uma data para o próximo aumento.

O consumo segue como ponto de atenção, após sofrer com o mau tempo no verão e a perda de poder de compra. Mesmo assim, o banco espera resistência dos gastos, apoiada pelos subsídios aos combustíveis, pela valorização das ações e pelos ganhos salariais em um mercado de trabalho com escassez de mão de obra.

FUP Explica

Para o Brasil, os possíveis reflexos passam pelo câmbio, pelo financiamento e pela demanda externa. Juros maiores no Reino Unido e no Japão podem alterar a atratividade dos investimentos internacionais e influenciar os fluxos de capital. Caso esses movimentos pressionem o real, importadores podem enfrentar custos maiores para comprar mercadorias e cumprir pagamentos no exterior.

Além disso, um eventual enfraquecimento do consumo nesses países pode afetar a procura por produtos brasileiros. Já a energia mais cara merece atenção por seus possíveis efeitos sobre combustíveis e transporte. Esses impactos, contudo, dependem da intensidade das mudanças e da reação dos mercados: uma alta dos juros no exterior não determina, isoladamente, a direção do dólar ou da Selic.