Transportadores bloqueiam acessos a armazéns e cobram medidas para o diesel, revisão dos fretes e transparência nas tarifas
Após uma reunião sem solução com autoridades do governo chileno, os caminhoneiros de San Antonio decidiram, na quinta-feira (29), manter os bloqueios nas entradas de armazéns fora da área portuária. Iniciado na noite de quarta-feira (28), o movimento protesta contra a alta do diesel e cobra mudanças na remuneração dos fretes. A categoria também questiona a instalação de pórticos de pedágio na principal ligação rodoviária com Santiago.
A Associação de Caminhoneiros Independentes de San Antonio (Agreporsai), que lidera a mobilização, ainda não havia alcançado um acordo com as empresas geradoras de carga. Assim, a reunião com o governo não foi suficiente para encerrar o protesto, cuja pauta envolve reivindicações dirigidas tanto às autoridades quanto ao setor privado.
Os bloqueios se concentram nos acessos a instalações externas ao porto. A notícia enviada, porém, não apresenta informações sobre interrupção das atividades nos terminais, quantidade de caminhões envolvidos ou volume de mercadorias afetado. Portanto, os dados disponíveis não permitem dimensionar os efeitos da mobilização sobre o fluxo de cargas.
Alta do diesel e remuneração motivam protesto
O aumento recente do diesel desencadeou a paralisação. Diante do encarecimento do combustível, os caminhoneiros pedem que o governo adote medidas para mitigar os efeitos sobre a atividade. Além disso, afirmam que os valores recebidos pelos serviços não acompanham a evolução dos custos do transporte.
Segundo a Agreporsai, algumas tarifas permanecem estagnadas há anos. A entidade sustenta que o desequilíbrio se agravou desde a alta dos combustíveis em março, pressionando as condições de prestação dos serviços. Dessa forma, a discussão também envolve a remuneração das empresas responsáveis pelo deslocamento das mercadorias.
Outra reivindicação é a transparência nas tarifas cobradas pelos geradores de carga. Os transportadores pedem expressamente o repasse de custos às empresas de transporte ou às responsáveis pelas mercadorias. Entretanto, o relato fornecido não detalha o mecanismo proposto para esse repasse nem apresenta valores em negociação.
A pauta reúne, portanto, duas frentes de cobrança: medidas públicas para enfrentar o encarecimento do diesel e uma negociação com os geradores de carga sobre as condições do frete. Até a atualização de quinta-feira, as conversas não haviam produzido um entendimento que encerrasse a mobilização.
Pedágios também entram na pauta
O anúncio da instalação de pórticos de cobrança eletrônica pelo sistema TAG acrescentou outro motivo de insatisfação. A medida integra o projeto de expansão da Rodovia 78, principal eixo rodoviário entre o porto de San Antonio, a cidade e Santiago.
Embora a cobrança faça parte das reivindicações, a notícia não informa valores, datas de início ou condições de aplicação dos pedágios. Também não descreve uma proposta do governo para esse ponto da negociação.
O movimento recebeu apoio da Confederação Nacional de Caminhoneiros do Chile (CNDC). Em manifestação reproduzida pelo PortalPortuario, a organização declarou “solidariedade aos caminhoneiros daquela cidade portuária e compreensão dos motivos do protesto”.
A confederação também destacou o histórico de diálogo da liderança de San Antonio com autoridades e representantes das empresas geradoras de carga. Por isso, pediu que governo e empresas negociem novas condições de trabalho com os transportadores, reconhecendo a importância da categoria para a cadeia logística.