Guindaste transportado por embarcação atingiu rede elétrica de Itatinga; dois dos quatro cabos haviam sido retirados até a manhã desta sexta-feira (30), mas parte do canal continuava interditada
Uma embarcação de serviço que transportava um guindaste atingiu a rede elétrica que atravessa o canal do Porto de Santos, no litoral de São Paulo, e provocou o rompimento de quatro cabos de transmissão na tarde de quinta-feira (29). Com a queda da fiação sobre a água e trechos do cais, a Capitania dos Portos suspendeu parte da navegação, afetando o acesso marítimo a terminais do complexo. A interdição continuava nesta sexta-feira (30), enquanto equipes trabalhavam para retirar os cabos. Ninguém ficou ferido, e o fornecimento de energia foi mantido.
Segundo a VTV News, dois dos quatro cabos já haviam sido removidos até as 9h30 desta sexta-feira. As equipes interromperam os trabalhos durante a noite devido à baixa visibilidade e retomaram a operação às 7h. Apesar do avanço, ainda não havia previsão confirmada para a liberação completa do canal. VTV News
Interdição restringe acesso a terminais do Porto de Santos
A Capitania dos Portos de São Paulo determinou a suspensão parcial da navegação às 16h25 de quinta-feira, nos trechos 3 e 4 do canal. A restrição começa na altura do armazém 29, no bairro Outeirinhos, e segue em direção ao interior do estuário.
Conforme informou A Tribuna, os terminais localizados entre a entrada do porto e o armazém 29 continuaram recebendo embarcações normalmente. A ocorrência também não interrompeu a travessia de passageiros entre Santos e Guarujá. A Tribuna
O BE News informou que o Patrulhamento Marítimo da Guarda Portuária abordou a tripulação da embarcação para identificar os envolvidos. Entretanto, as autoridades ainda não haviam divulgado o nome da embarcação, a empresa responsável pelo serviço ou as circunstâncias exatas do acidente. BE News
Quais são os possíveis impactos para as cargas?
Embora o bloqueio não tenha atingido todo o complexo portuário, a restrição pode afetar a programação de navios que precisam acessar os terminais situados além do ponto interditado.
Embarcações com chegada ou saída prevista para a região podem enfrentar atrasos até a liberação do canal. Consequentemente, os operadores portuários podem precisar reorganizar janelas de atracação, atividades de carga e descarga e a programação do transporte terrestre.
Para importadores e exportadores, a duração da interdição é um fator importante. Eventuais mudanças nos cronogramas marítimos podem comprometer prazos de entrega e conexões logísticas. Além disso, dependendo dos contratos e do tempo de espera, podem surgir despesas adicionais relacionadas à permanência de cargas, navios e equipamentos.
Entretanto, não havia confirmação pública sobre a quantidade de embarcações afetadas, o volume de mercadorias impactadas ou os prejuízos financeiros. Assim, os possíveis reflexos sobre o comércio exterior ainda dependem da duração do bloqueio e da programação dos terminais envolvidos.
Cabos de Itatinga já exigiram operação especial em setembro
A estrutura atingida integra a linha de transmissão da Usina Hidrelétrica de Itatinga, localizada em Bertioga e pertencente à Autoridade Portuária de Santos (APS). Segundo o Portogente, o sistema possui cerca de 30 quilômetros de extensão e opera com tensão de 44 kV. Apesar do rompimento, a concessionária CPFL manteve o abastecimento elétrico do porto. Portogente
O acidente ocorreu exatamente um mês após uma operação preventiva envolvendo a mesma linha. Em 29 de setembro, a APS interrompeu temporariamente a transmissão de Itatinga para permitir a passagem do navio Zhen Hua, que transportava grandes guindastes destinados ao terminal DP World.
Na ocasião, a autoridade portuária explicou que a medida era necessária devido à altura dos equipamentos, já que os cabos passam sobre o canal de navegação. A embarcação concluiu a passagem sem incidentes, e o fornecimento de energia foi restabelecido. Porto de Santos
O precedente mostra que a travessia de equipamentos elevados exige cuidados específicos. Contudo, ainda não há elementos suficientes para determinar se o acidente de quinta-feira envolveu falha de planejamento, comunicação ou cumprimento de procedimentos operacionais.
Enquanto as causas permanecem sob apuração, a principal preocupação para o comércio exterior é a duração da restrição e seus possíveis efeitos sobre a movimentação de navios e mercadorias.