Movimento tem adesões anunciadas em 113 portos de 22 países; estimativas sobre cargas afetadas ainda dependem de balanços operacionais
A greve nos portos manteve navios atracados em sete localidades da Grécia nesta sexta-feira (30). Marítimos interromperam o trabalho por 24 horas para cobrar melhores salários e segurança. Ao mesmo tempo, sindicatos de diferentes países convocaram paralisações contra o transporte de armas para zonas de conflito.
Segundo a Reuters, mais de 25 sindicatos anunciaram apoio ao movimento em 113 portos de 22 países. Os organizadores estimam possíveis efeitos sobre mais de 40% das cargas do Mediterrâneo. Além disso, projetam dificuldades na movimentação de mercadorias avaliadas em mais de US$ 2 bilhões.
Esses números, porém, representam estimativas das entidades. Portanto, não correspondem a volumes efetivamente paralisados nem a prejuízos financeiros confirmados. O alcance das interrupções ainda dependia da participação dos trabalhadores em cada local.
Em Gênova, na Itália, um porta-voz do porto afirmou que esperava efeitos limitados. Já Pireu, principal porto grego, previa transtornos nas balsas que atendem às ilhas. Assim, as adesões anunciadas não significam que todos os terminais tenham suspendido integralmente suas operações.
Greve nos portos reúne reivindicações por salários e segurança
Conforme o Kathimerini, a paralisação atingiu Pireu, Rafina, Lavrio, Patras, Igoumenitsa, Elefsina e a ligação Rio–Antirrio. Os marítimos reivindicam reajuste salarial de 12% nos acordos coletivos e jornada diária de sete horas. Também pedem melhores condições de trabalho e segurança, além de equipe médica obrigatória a bordo.
Participam a União Pan-helênica dos Engenheiros da Marinha Mercante (PEMEN) e o sindicato dos trabalhadores de máquinas conhecido como “Stephenson”. A União Pan-helênica dos Marinheiros da Marinha Mercante (PENEN) também integra o movimento.
Em comunicado próprio, a PENEN confirmou a convocação para 24 horas nas sete localidades. Além das demandas trabalhistas, relacionou a greve aos riscos enfrentados por marítimos em áreas de conflito.
Paralelamente, a Federação dos Empregados Permanentes dos Portos Gregos convocou uma interrupção de três horas. O Centro Trabalhista de Pireu, por sua vez, declarou uma greve de 24 horas na cidade.
As organizações cobram melhores salários, aposentadorias e acordos coletivos. Também defendem medidas contra o aumento do custo de vida. Segundo o jornal grego, novas ações nacionais estão previstas para 25 de novembro.
Adesões não equivalem ao fechamento dos terminais
Entre os portos mencionados pelos organizadores estão Hamburgo, Valência, Le Havre, Algeciras, Pireu e Gênova. A lista inclui ainda Tanger Med, no Marrocos, e Nhava Sheva, na Índia.
No território indiano, as entidades apontaram possíveis interrupções em cerca de uma dúzia de portos. Já na Itália, a central Unione Sindacale di Base (USB) convocou uma greve geral de 24 horas. Havia manifestações previstas em mais de 40 cidades.
A duração das ações, contudo, varia entre os locais. Por isso, não é possível tratar a mobilização como uma paralisação uniforme do transporte marítimo.
Essa diferença aparece no chamado internacional divulgado pela própria USB. Conforme o comunicado, cada organização definiria sua forma de participação de acordo com as condições do país. Além da oposição à militarização dos portos, o documento reúne reivindicações sobre salários, emprego, jornada e segurança.
Declaração de Istambul orienta mobilização
O movimento dá continuidade à Declaração de Istambul, divulgada em maio de 2026. Sindicatos de trabalhadores de mais de 35 portos da Europa e do Mediterrâneo participaram da iniciativa.
A Progressive International reproduziu o documento, que rejeita o transporte de armas e munições para zonas de guerra pelas instalações portuárias. A posição também abrange equipamentos militares e tropas.
Embora a convocação internacional esteja documentada, os efeitos sobre as cargas permanecem incertos. Para dimensioná-los, ainda são necessários balanços de participação e informações operacionais de cada terminal.