Medida busca conter os efeitos da alta do petróleo sobre o combustível; para o transporte de cargas, evolução dos preços e do câmbio seguirá influenciando os custos
A pressão dos preços internacionais sobre o diesel levou o governo federal a anunciar, nesta terça-feira (27), a renovação por mais um mês da subvenção de R$ 2,12 por litro ao combustível de uso rodoviário. A medida mantém o valor do benefício já concedido a produtores e importadores e busca reduzir os efeitos da volatilidade do petróleo sobre o abastecimento e os preços no Brasil.
Segundo o Ministério do Planejamento e Orçamento, a renovação será formalizada por meio de uma portaria do Ministério da Fazenda. A pasta informou que a medida está prevista na Medida Provisória nº 1.391, de setembro de 2026.
Para empresas que dependem do transporte rodoviário, a continuidade da subvenção ajuda a conter a pressão sobre um custo relevante da operação. O diesel é utilizado tanto em viagens de longa distância quanto na coleta e entrega de mercadorias, inclusive nos trajetos entre instalações industriais, centros de distribuição e portos.
A manutenção do benefício, porém, não significa que o combustível ficará R$ 2,12 mais barato nos postos. Como o valor anunciado já integra a política em vigor, a decisão busca preservar o apoio existente. O preço final também depende de fatores como distribuição, revenda, tributos e condições de mercado.
Medida tem custo estimado em R$ 10,5 bilhões
O gasto estimado com a subvenção é de R$ 10,5 bilhões por mês, segundo o UOL, que informa que o impacto mensal previsto é equivalente ao anterior. O veículo também relata que a equipe econômica considera a medida temporária e poderá revê-la conforme a conjuntura e a disponibilidade de recursos.
De acordo com a Agência Brasil, o governo afirma que receitas extraordinárias provenientes do petróleo compensarão o impacto fiscal da prorrogação. Trata-se, portanto, de uma previsão oficial: o valor do gasto e o resultado líquido para as contas públicas são informações diferentes.
A subvenção funciona como uma compensação a agentes habilitados a produzir ou importar diesel rodoviário. A intenção é reduzir os efeitos da instabilidade internacional sobre o mercado brasileiro e contribuir para a oferta do combustível.
A regulamentação da medida provisória prevê que a subvenção tenha vigência de até 30 dias e possa ser prorrogada por igual período por ato do Ministério da Fazenda. Conforme a Fecombustíveis, a pasta também pode interromper o benefício ou alterar seu valor ao fim de cada período, observadas as condições previstas na regulamentação.
Fretes seguem expostos ao diesel e ao câmbio
Embora ajude a suavizar a pressão sobre o combustível, a subvenção não assegura estabilidade nos preços dos fretes. O efeito para cada empresa dependerá da evolução do diesel, das condições de seus contratos e dos demais custos da operação.
No comércio exterior, a oscilação do dólar acrescenta outro ponto de atenção. Como as compras internacionais de combustíveis são negociadas em moeda estrangeira, uma valorização do dólar pode elevar seu custo em reais. Se essa pressão persistir, ela poderá influenciar o mercado brasileiro e as despesas de transporte.
A decisão ocorre após o segundo turno das eleições presidenciais. Segundo o JOTA, esta é a primeira renovação de subsídio a combustíveis anunciada depois da votação. Na semana passada, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a continuidade do apoio dependerá do preço do petróleo e da disponibilidade de receitas adicionais.
O governo ainda precisará avaliar o cenário para decidir os próximos passos após o período anunciado. Para transportadoras e embarcadores, acompanhar a formalização da medida e a evolução dos preços continua sendo essencial para o planejamento das operações.