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Comércio Exterior

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Grupo ligado à família Maersk avança em portos europeus e ferrovias no Vietnã

23/10/2026 · 591 palavras

Aquisição de participação na Euroports e memorando de até US$ 3,5 bilhões com a Hateco apontam para maior presença em corredores logísticos, mas dependem de aprovações e compromissos definitivos

Dois negócios anunciados em menos de um mês colocaram empresas ligadas à família Maersk em novas frentes da infraestrutura logística: os terminais de cargas a granel que abastecem a indústria europeia e uma futura rede de terminais ferroviários no norte do Vietnã. As iniciativas combinam aquisição de ativos e planejamento de conexões terrestres, em um movimento que aproxima as operações portuárias dos trajetos percorridos pelas mercadorias antes e depois do embarque.

Segundo análise do Container News, os acordos representam caminhos complementares de uma estratégia de presença em corredores comerciais. Em 28 de setembro, a A.P. Moller Capital concordou em adquirir 53,35% da controladora da Euroports. Já em 20 de outubro, em Copenhague, a APM Terminals assinou um memorando de entendimento com o conglomerado vietnamita Hateco para uma rede de terminais ferroviários de carga avaliada em até US$ 3,5 bilhões.

Embora tenham vínculos com a mesma estrutura familiar, as empresas desempenham funções distintas. A APM Terminals é a unidade portuária da Maersk e atua em terminais de contêineres. A A.P. Moller Capital, por sua vez, é uma gestora de fundos de infraestrutura apoiada pela A.P. Moller Holding, com investimentos que também alcançam atividades fora desse segmento.

No Vietnã, o memorando dá continuidade a uma aproximação iniciada em 2023, quando a APM Terminals passou a assessorar a Hateco. Em abril de 2026, a empresa adquiriu uma participação de 49% no terminal internacional de contêineres de Haiphong. Também ingressou no projeto portuário de Lien Chieu, em Danang, antes de avançar para o planejamento da infraestrutura ferroviária.

A sequência indica uma atuação que vai além do cais e alcança as ligações com o interior do país. O acordo mais recente foi assinado durante a visita de Estado do secretário-geral e presidente vietnamita, Tô Lâm, à Dinamarca. Entretanto, o valor anunciado corresponde ao teto previsto no memorando, e não a um investimento integralmente comprometido.

Na Europa, a aquisição proposta oferece acesso a uma operação de perfil diferente. A Euroports reúne mais de 50 terminais marítimos e interiores em dez países europeus e na China, movimentando mais de 70 milhões de toneladas por ano. Entre as cargas estão fertilizantes, grãos, açúcar, metais, produtos florestais e granéis líquidos.

O negócio sucede o investimento da gestora na espanhola BERGÉ Logistics e reforça sua presença na Península Ibérica. Nesse mercado, as atividades de granéis, carga geral e logística se somam aos terminais de contêineres operados pela APM Terminals em Valência e Barcelona. Os investidores públicos belgas SFPIM e PMV permanecem como acionistas da Euroports.

A relação com os governos também aparece no Panamá, onde a APM Terminals assumiu a operação de Balboa em fevereiro, após a Suprema Corte anular as concessões da CK Hutchison. A Panama Ports Company iniciou uma arbitragem em Londres contra a Maersk relacionada ao terminal, acrescentando uma disputa jurídica à operação.

Além desse processo, os novos negócios ainda enfrentam etapas decisivas. A compra da participação na Euroports depende de aprovações regulatórias, esperadas para o primeiro trimestre de 2027. No Vietnã, será necessário acompanhar os primeiros compromissos vinculantes decorrentes do memorando para conhecer o alcance efetivo do projeto.

A análise aponta três marcos para avaliar o avanço dessa estratégia: a licitação de longo prazo de Balboa, a autorização para a transação envolvendo a Euroports e a transformação dos planos ferroviários vietnamitas em obrigações contratuais. Esses desdobramentos indicarão quanto das ambições anunciadas se converterá em infraestrutura e presença operacional.