Demanda americana e cancelamentos de viagens sustentam os preços, enquanto a redução das filas nos portos asiáticos melhora os tempos de espera
A demanda por importações nos Estados Unidos e os ajustes na oferta de viagens entre Ásia e Europa puxaram os fretes marítimos para cima nesta semana. O Índice Mundial de Contêineres da Drewry (WCI) avançou 2%, chegando a US$ 4.585 por contêiner de 40 pés, segundo levantamento divulgado pelo PortalPortuario nesta sexta-feira (23). O movimento ocorreu mesmo com a diminuição do congestionamento em importantes portos asiáticos, mostrando que a melhora operacional convive com pressões sobre os preços do transporte.
As quatro ligações destacadas no levantamento registraram aumentos, mas o ritmo variou conforme o destino. Nas rotas transpacíficas, a procura americana continuou sustentando as tarifas. Já no transporte para a Europa, o cancelamento de partidas pelas companhias de navegação reduziu a capacidade disponível, contribuindo para a elevação dos valores cobrados pelos embarques.
Entre Xangai e Los Angeles, o frete subiu 2%, para US$ 8.007 por contêiner de 40 pés, unidade também identificada pela sigla FEU. Na ligação entre Xangai e Nova York, o avanço foi de 1%, levando a tarifa a US$ 10.166. Apesar da variação menor, o serviço para a costa leste americana manteve o preço mais elevado entre os quatro trajetos apresentados.
Para a próxima semana, a expectativa da Drewry é de estabilidade nas tarifas transpacíficas. O relatório Container Capacity Insight indica apenas duas viagens canceladas, ante seis na semana atual, o que representa maior disponibilidade efetiva de transporte. Ainda assim, a consultoria avalia que a demanda por importações nos Estados Unidos deve continuar dando sustentação aos preços.
No eixo Ásia–Europa, a maior alta entre as ligações citadas ocorreu no percurso de Xangai para Gênova: 5%, com o valor chegando a US$ 4.152 por contêiner de 40 pés. Para Roterdã, o aumento foi de 3%, para US$ 3.632. Nesse mercado, a perspectiva é de uma nova elevação moderada na próxima semana, associada às restrições de capacidade.
O número de viagens canceladas nos serviços entre Ásia e Europa deve passar de duas nesta semana para oito na seguinte. Segundo a avaliação da consultoria, as transportadoras estão retirando capacidade por meio dessas suspensões para favorecer a recuperação dos fretes. A gestão da oferta, acompanhada da aplicação de sobretaxas, permanece entre os mecanismos utilizados pelas empresas para sustentar as tarifas.
Enquanto isso, as condições operacionais apresentaram melhora em terminais asiáticos. Em Xangai, o tempo de espera dos navios caiu de 97 horas na semana 38 para 38 horas na semana 42. O recuo representa 59 horas a menos de espera, embora esse alívio ainda não tenha impedido os aumentos nas rotas analisadas.
Os riscos de segurança também seguem no radar do setor. O levantamento informa que apenas dois porta-contêineres navegaram em direção ao Golfo na semana 42, contra cinco na anterior, em um contexto de ataques a embarcações e dificuldades para a circulação marítima na região.
No Canal de Suez, por sua vez, os trânsitos tiveram uma pequena recuperação, passando de 54 na semana 41 para 55 na semana 42. Diante desse conjunto de fatores, a Drewry mantém uma avaliação de incerteza para o transporte de contêineres entre leste e oeste. A trajetória dos fretes continuará dependendo da demanda, das decisões das transportadoras sobre a oferta de viagens e da evolução da segurança nas rotas marítimas.