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Logística

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Balsa 100% elétrica começa a ligar Argentina e Uruguai com capacidade para 2.100 passageiros

22/10/2026 · 544 palavras

China Zorrilla transporta até 225 veículos e utiliza baterias recarregadas nos dois portos; embarcação da Buquebus dispensa combustíveis fósseis na propulsão

A travessia entre Colonia del Sacramento, no Uruguai, e Buenos Aires, na Argentina, passou a contar com uma balsa totalmente elétrica, capaz de transportar 2.100 passageiros e 225 veículos. Batizada de China Zorrilla, em homenagem à artista uruguaia, a embarcação da Buquebus iniciou suas operações com um sistema de baterias e infraestrutura de recarga nos dois portos, conectando os países sem utilizar combustíveis fósseis na propulsão.

Segundo o PortalPortuario, que noticiou o início das operações nesta quinta-feira (22), o navio é apresentado como o primeiro ferry de grande porte inteiramente elétrico do mundo. A inauguração ocorreu no terminal da companhia em Puerto Madero, na capital argentina, com a presença de autoridades dos dois países e representantes da empresa.

Durante a cerimônia, o secretário da Presidência do Uruguai, Alejandro Sánchez, associou o investimento à melhoria da conectividade e às oportunidades para a economia uruguaia. Para ele, a nova ligação representa perspectivas de geração de empregos, fortalecimento do turismo e desenvolvimento da infraestrutura, além de colocar o país em uma posição estratégica no transporte regional.

A tecnologia embarcada é o principal diferencial do projeto. Um sistema de armazenamento de energia de alta capacidade alimenta oito motores elétricos com propulsão por jatos d’água. Dessa forma, a energia acumulada nas baterias substitui o combustível utilizado nas embarcações convencionais e permite realizar a travessia sem emissões diretas provenientes da propulsão.

Para sustentar essa operação, os terminais de Colonia del Sacramento e Buenos Aires contam com instalações de carregamento desenvolvidas especialmente para o navio. A estrutura permite repor a energia necessária entre as viagens, integrando o funcionamento da embarcação ao abastecimento elétrico em terra. Assim, o projeto envolve tanto a tecnologia a bordo quanto a preparação dos portos para receber esse tipo de transporte.

O sistema também reduz ruídos e vibrações, características que favorecem o conforto dos passageiros e diminuem a perturbação do ambiente marinho. Além disso, a embarcação é descrita como mais leve, eficiente e com menor calado em comparação com as unidades existentes, reunindo mudanças no projeto naval e na forma de fornecer energia aos motores.

A experiência a bordo inclui aproximadamente 3 mil metros quadrados de áreas de lazer, opções gastronômicas e uma loja duty-free. Os passageiros têm à disposição três classes de serviço — Turista, Executiva e Primeira Classe —, com assentos ergonômicos e internet de alta velocidade por satélite. Dois elevadores conectam todos os níveis, inclusive o espaço destinado aos veículos.

No lado uruguaio, a disponibilidade de energia para atender à embarcação também entrou no centro das discussões. Sánchez afirmou que o avanço da mobilidade elétrica exige preparação e citou o plano de investimentos da UTE, empresa pública de eletricidade, como parte da resposta do país à demanda de carregamento. O secretário defendeu a continuidade dos investimentos em geração e transmissão.

Já o ministro das Relações Exteriores do Uruguai, Mario Lubetkin, destacou a importância de incorporar uma embarcação elétrica desse porte e atribuiu sua viabilização à participação do setor privado e ao desenvolvimento tecnológico. O projeto é apresentado como a primeira “operação azul” uruguaia, modalidade de financiamento sustentável voltada a iniciativas de proteção dos recursos hídricos, recuperação de ecossistemas marinhos e transporte aquaviário sustentável.