Guarda Revolucionária relata explosões e colisão com uma mina; informações seguem sem verificação independente, enquanto negativa americana anterior exige atenção à cronologia
Três petroleiros teriam pegado fogo e sofrido explosões ao tentar atravessar o Estreito de Ormuz por trajetos classificados pelo Irã como “rotas não autorizadas”. A alegação da Marinha da Guarda Revolucionária iraniana foi divulgada pela imprensa estatal e noticiada nesta sexta-feira (30). Entretanto, o relato ainda não contava com verificação independente, e as Forças Armadas dos Estados Unidos não haviam confirmado as informações.
Segundo o PortalPortuario, em publicação com informações da Reuters, a força iraniana afirmou que um dos navios transportava 2 milhões de barris de petróleo bruto e atingiu uma mina. A agência informou, porém, que não conseguiu verificar o relato de maneira independente. Assim, a causa atribuída ao incidente permanece como parte da versão apresentada pelo Irã.
A notícia não identifica as embarcações, seus operadores ou as bandeiras dos navios. Também não informa a situação dos tripulantes nem detalha a extensão dos danos. Além disso, embora mencione três petroleiros, o comunicado reproduzido descreve uma possível causa apenas para um deles: a colisão com uma mina.
A ausência desses dados impede estabelecer quando e em quais pontos do estreito os episódios teriam ocorrido. A data de publicação da notícia, portanto, não permite concluir que os supostos incêndios aconteceram nesta sexta-feira. Tampouco há informações suficientes para relacionar as três embarcações a uma mesma ocorrência.
Negativa americana antecede a publicação
Antes desse relato, o Comando Central dos Estados Unidos, conhecido como Centcom, havia contestado alegações semelhantes divulgadas por veículos controlados pelo Irã. Em manifestação que faz referência à situação em 28 de outubro, os militares americanos negaram que embarcações comerciais tivessem atingido minas durante a travessia do estreito.
“Essas alegações são falsas”, afirmou o comando. Na mesma declaração, o Centcom disse que forças americanas haviam retirado minas das principais rotas marítimas internacionais reconhecidas na região. Segundo os militares, esses corredores permaneciam livres dos dispositivos, e milhares de embarcações comerciais continuavam a utilizá-los com segurança.
Entretanto, essa manifestação antecede a publicação sobre os três petroleiros. Por isso, não pode ser apresentada como uma resposta específica ao relato mais recente. O material enviado não traz uma declaração posterior dos Estados Unidos que esclareça diretamente as novas alegações iranianas.
Também falta informação para comparar os trajetos mencionados pelas duas partes. Enquanto o Irã faz referência a “rotas não autorizadas”, o comando americano trata dos principais corredores internacionais reconhecidos. Sem coordenadas ou identificação dos percursos, não é possível determinar se as declarações descrevem as mesmas áreas.
Relato separado cita minas presas ao casco
A publicação também menciona outro episódio, atribuído a fontes marítimas. Segundo esse relato, uma embarcação teria fixado duas minas magnéticas no casco de um petroleiro no Estreito de Ormuz. Os dispositivos teriam provocado um incêndio na casa de máquinas e retirado temporariamente o navio de operação.
Contudo, a notícia não esclarece se esse petroleiro está entre os três citados pela Guarda Revolucionária. Dessa forma, os relatos precisam permanecer separados, sem atribuição de uma causa comum. A instalação de explosivos no casco também descreve uma dinâmica diferente da colisão com uma mina mencionada no comunicado iraniano.
Por fim, a força iraniana afirmou ter destruído um drone americano no setor leste do estreito. Essa alegação igualmente permanecia sem confirmação dos Estados Unidos. Até o estágio descrito na publicação, não havia elementos suficientes para estabelecer a dimensão dos episódios ou seus efeitos sobre o tráfego marítimo.