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ONE suspende prazos após nível do Reno atingir patamar crítico
Redução do nível de água no rio Reno compromete transporte fluvial europeu, criando gargalos logísticos que afetam cadeias de suprimento globais e custos de frete.
A Ocean Network Express (ONE) emitiu alerta nesta sexta-feira (7) para clientes sobre os impactos severos da queda do nível do rio Reno no transporte fluvial europeu. Segundo o Portal Portuario, a naviera com sede em Singapura informou que a escassez de água na Europa Central atingiu patamares críticos: em Kaub, ponto mais raso do Médio Reno, o nível desceu a 24 centímetros, enquanto na região do Ruhr o registro é de 150 centímetros.
A situação afeta operações na Alemanha, Países Baixos, Bélgica, Suíça e Áustria. Numerosos operadores de barcaças suspenderam serviços, provocando paralisação nos corredores do Reno Médio e do Ruhr, com repercussões graves para o transporte de mercadorias perigosas.
Diante das restrições, a ONE suspendeu prazos de entrega e garantias de carga habituais nas rotas de barcaças afetadas. Todos os envios por barcaça ficam sujeitos ao chamado recargo por nível de água baixo (LWS, na sigla em inglês), e custos adicionais por demora ou armazenamento em portos e terminais interiores passam a correr por conta do cliente após o vencimento do prazo de carência.
A companhia recomendou que clientes consultem representantes locais para analisar rotas alternativas e gerenciar envios urgentes. As redes de transporte ferroviário e rodoviário operam em capacidade máxima, e a ONE solicitou a devolução de contêineres vazios diretamente aos portos marítimos de Roterdã e Antuérpia para evitar congestionamento em depósitos terrestres.
O rio Reno é a hidrovia mais desenvolvida e utilizada da Europa. De acordo com a ONTL, ele responde por cerca de 80% do transporte de mercadorias por via navegável interior no continente. A rede Reno-Danúbio, com extensão de 14.360 quilômetros, representa quase metade das vias navegáveis europeias, e a maioria dos centros industriais do continente pode ser alcançada por navegação interior.
Episódios de baixo nível de água no Reno não são inéditos. Em 2022, uma redução semelhante perturbou a logística fluvial europeia e alterou cadeias de suprimento inteiras, conforme reportou o Euronews. No porto de Koblenz, não havia previsão de chegada de navios porta-contêineres naquele período, e gestores de terminais relataram dificuldades em oferecer a capacidade de carga esperada pelos clientes. Como solução imediata, implementaram-se pontes terrestres, com mercadorias transportadas por ferrovia ou rodovia durante parte do percurso.
Causas climáticas e respostas do setor
A queda de 2022 foi provocada por uma primavera excepcionalmente quente e seca. A época de maré baixa no Reno dura normalmente de setembro a outubro, às vezes se estendendo até novembro. Pesquisadores alertam que, em cenários de mudanças climáticas, a frequência e a intensidade dessas crises tendem a se agravar.
Como resposta estrutural, governos planejam aumentar a profundidade dos canais mais rasos, e empresas de transporte fluvial passaram a adotar instrumentos de previsão mais sofisticados para gerenciar a logística. Após 2022, empresas alemãs também encomendaram novas embarcações elétricas projetadas para navegar em águas mais rasas e transportar mais carga mesmo com nível reduzido.
FUP Explica
O Reno não é uma rota qualquer: ele conecta os maiores portos de contêineres da Europa, como Roterdã e Antuérpia, a centros industriais no interior da Alemanha, Suíça e além. Quando a navegação trava, a pressão se distribui imediatamente para ferrovia e rodovia, que já operam no limite, o que eleva custos de frete e alonga prazos em toda a cadeia. A suspensão das garantias de entrega pela ONE e a imposição do recargo LWS transferem o risco financeiro diretamente para o embarcador, e quem não tiver flexibilidade de rota vai pagar mais caro ou esperar mais.
O padrão de repetição dessas crises, com 2022 como referência clara, indica que o setor ainda não tem solução estrutural consolidada. As respostas continuam sendo as mesmas: desvio para modal terrestre, redução de carga por viagem e recomendação de consulta a representantes locais. Isso sinaliza vulnerabilidade persistente para qualquer operação que dependa do corredor Reno, especialmente no segundo semestre, quando a época de maré baixa coincide com o pico de demanda logística pré-fim de ano.
Para quem opera com carga no norte europeu, o momento exige atenção ao posicionamento de contêineres vazios: a orientação da ONE de devolvê-los diretamente a Roterdã e Antuérpia é um sinal de que o risco de congestionamento em depósitos terrestres é real e imediato. Quem ignorar essa recomendação pode enfrentar custos extras de armazenagem além do recargo de nível de água.



