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ONE suspende prazos após nível do Reno atingir patamar crítico
Logística

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ONE suspende prazos após nível do Reno atingir patamar crítico

07/08/2026·476 palavras
Redução do nível de água no rio Reno compromete transporte fluvial europeu, criando gargalos logísticos que afetam cadeias de suprimento globais e custos de frete.

A Ocean Network Express (ONE) emitiu alerta nesta sexta-feira (7) para clientes sobre os impactos severos da queda do nível do rio Reno no transporte fluvial europeu. Segundo o Portal Portuario, a naviera com sede em Singapura informou que a escassez de água na Europa Central atingiu patamares críticos: em Kaub, ponto mais raso do Médio Reno, o nível desceu a 24 centímetros, enquanto na região do Ruhr o registro é de 150 centímetros.

A situação afeta operações na Alemanha, Países Baixos, Bélgica, Suíça e Áustria. Numerosos operadores de barcaças suspenderam serviços, provocando paralisação nos corredores do Reno Médio e do Ruhr, com repercussões graves para o transporte de mercadorias perigosas.

Diante das restrições, a ONE suspendeu prazos de entrega e garantias de carga habituais nas rotas de barcaças afetadas. Todos os envios por barcaça ficam sujeitos ao chamado recargo por nível de água baixo (LWS, na sigla em inglês), e custos adicionais por demora ou armazenamento em portos e terminais interiores passam a correr por conta do cliente após o vencimento do prazo de carência.

A companhia recomendou que clientes consultem representantes locais para analisar rotas alternativas e gerenciar envios urgentes. As redes de transporte ferroviário e rodoviário operam em capacidade máxima, e a ONE solicitou a devolução de contêineres vazios diretamente aos portos marítimos de Roterdã e Antuérpia para evitar congestionamento em depósitos terrestres.

O rio Reno é a hidrovia mais desenvolvida e utilizada da Europa. De acordo com a ONTL, ele responde por cerca de 80% do transporte de mercadorias por via navegável interior no continente. A rede Reno-Danúbio, com extensão de 14.360 quilômetros, representa quase metade das vias navegáveis europeias, e a maioria dos centros industriais do continente pode ser alcançada por navegação interior.

Episódios de baixo nível de água no Reno não são inéditos. Em 2022, uma redução semelhante perturbou a logística fluvial europeia e alterou cadeias de suprimento inteiras, conforme reportou o Euronews. No porto de Koblenz, não havia previsão de chegada de navios porta-contêineres naquele período, e gestores de terminais relataram dificuldades em oferecer a capacidade de carga esperada pelos clientes. Como solução imediata, implementaram-se pontes terrestres, com mercadorias transportadas por ferrovia ou rodovia durante parte do percurso.

Causas climáticas e respostas do setor

A queda de 2022 foi provocada por uma primavera excepcionalmente quente e seca. A época de maré baixa no Reno dura normalmente de setembro a outubro, às vezes se estendendo até novembro. Pesquisadores alertam que, em cenários de mudanças climáticas, a frequência e a intensidade dessas crises tendem a se agravar.

Como resposta estrutural, governos planejam aumentar a profundidade dos canais mais rasos, e empresas de transporte fluvial passaram a adotar instrumentos de previsão mais sofisticados para gerenciar a logística. Após 2022, empresas alemãs também encomendaram novas embarcações elétricas projetadas para navegar em águas mais rasas e transportar mais carga mesmo com nível reduzido.

FUP Explica

O Reno não é uma rota qualquer: ele conecta os maiores portos de contêineres da Europa, como Roterdã e Antuérpia, a centros industriais no interior da Alemanha, Suíça e além. Quando a navegação trava, a pressão se distribui imediatamente para ferrovia e rodovia, que já operam no limite, o que eleva custos de frete e alonga prazos em toda a cadeia. A suspensão das garantias de entrega pela ONE e a imposição do recargo LWS transferem o risco financeiro diretamente para o embarcador, e quem não tiver flexibilidade de rota vai pagar mais caro ou esperar mais.

O padrão de repetição dessas crises, com 2022 como referência clara, indica que o setor ainda não tem solução estrutural consolidada. As respostas continuam sendo as mesmas: desvio para modal terrestre, redução de carga por viagem e recomendação de consulta a representantes locais. Isso sinaliza vulnerabilidade persistente para qualquer operação que dependa do corredor Reno, especialmente no segundo semestre, quando a época de maré baixa coincide com o pico de demanda logística pré-fim de ano.

Para quem opera com carga no norte europeu, o momento exige atenção ao posicionamento de contêineres vazios: a orientação da ONE de devolvê-los diretamente a Roterdã e Antuérpia é um sinal de que o risco de congestionamento em depósitos terrestres é real e imediato. Quem ignorar essa recomendação pode enfrentar custos extras de armazenagem além do recargo de nível de água.

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