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Mercado de caminhões usados cresce 9,7% em julho
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Mercado de caminhões usados cresce 9,7% em julho

07/08/2026·454 palavras
Mercado de caminhões usados registra crescimento de 9,7% em julho com 41,5 mil negociações. Contexto setorial relevante para transportadores, mas sem impacto regulatório ou de comex imediato.

O mercado de caminhões usados no Brasil fechou julho de 2026 com 41.499 negociações, volume 9,7% superior às 37.826 transações registradas em junho, segundo dados da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto) compilados pela Transporte Moderno com base nos registros da Senatran. O resultado mensal positivo convive com uma retração na comparação anual: em julho de 2025 foram comercializadas 42.907 unidades, o que representa queda de 3,3% no intervalo de um ano.

No acumulado de janeiro a julho de 2026, o segmento de comerciais pesados usados somou 253.072 negociações, ante 243.343 no mesmo período de 2025, crescimento de 4%.

O Volvo FH encerrou o mês na primeira posição, com 3.341 unidades negociadas, alta de 15,1% sobre as 2.903 transações de junho. O modelo respondeu por 8,05% de todas as negociações de comerciais pesados usados no país durante o período.

O Ford Cargo ficou na segunda colocação com 2.702 unidades e participação de 6,51% no mercado, crescimento de 9,7% em relação a junho, quando foram negociadas 2.462 unidades. O Mercedes-Benz Atego ocupou o terceiro lugar com 1.557 negociações e avanço de 14,8% sobre as 1.356 unidades do mês anterior. O Mercedes-Benz Axor aparece logo atrás, com 1.537 unidades e alta de 1,8%, enquanto o Ford F-4000 fecha o Top 5 com 1.532 unidades e crescimento de 7,7% na comparação mensal.

A Mercedes-Benz colocou seis modelos entre os dez comerciais pesados usados mais negociados em julho: Atego, Axor, 1113, 1620, Actros e 710. O modelo 1113 ficou na sexta posição com 1.220 unidades, crescimento de 12,9% sobre as 1.081 negociações de junho. O 1620 alcançou 946 unidades, com alta de 16,5% na comparação mensal.

O Mercedes-Benz Actros registrou a maior expansão percentual do Top 10, com 919 negociações em julho ante 788 em junho, avanço de 16,6%. O Volvo VM ocupou a nona posição com 847 unidades e crescimento de 4,7%, e o Mercedes-Benz 710 fechou a lista com 826 negociações e alta de 12,1%.

Mercado de caminhões novos e contexto setorial

O segmento de caminhões novos também apresentou recuperação em julho. Foram emplacadas 11.192 unidades, alta de 18,8% sobre as 9.414 de junho e crescimento de 7,1% em relação a julho de 2025, quando foram emplacados 10.444 veículos, conforme a AutoData. A Fenabrave atribui a reação do mercado principalmente aos efeitos das duas etapas do Programa Move Brasil, voltado à renovação da frota de veículos pesados.

No primeiro semestre de 2026, o volume de caminhões usados apresentou crescimento de 300% ante o mesmo período de 2025, somando 289.368 unidades negociadas, segundo dados da Fenauto apurados pelo Diário do Comércio. No mesmo intervalo, o Volvo FH registrou 16 mil unidades vendidas entre os usados, liderando também o mercado de pesados zero-quilômetro.

FUP Explica

O crescimento mensal de 9,7% em julho é expressivo, mas o dado que merece mais atenção é o acumulado do ano: 253 mil negociações em sete meses, com alta de 4% sobre 2025, indica que o mercado de usados está em trajetória consistente de recuperação, não apenas num pico pontual. O salto de 300% no primeiro semestre divulgado pelo Diário do Comércio, com base em dados da Fenauto, parece contraditório com o crescimento de 4% do acumulado, o que sugere que as bases de comparação ou os critérios de apuração diferem entre as fontes, e vale cautela ao usar esses números isoladamente.

A presença de seis modelos da Mercedes-Benz no Top 10 mostra que a marca mantém uma capilaridade muito forte no mercado de reposição, especialmente em modelos mais antigos como o 1113, que ainda circula em grande volume. Isso reflete a longevidade da frota brasileira e a dificuldade de renovação por parte de transportadores de menor porte, que recorrem ao usado como alternativa ao caminhão novo.

A recuperação simultânea de novos e usados, com o Programa Move Brasil como fator citado pela Fenabrave, aponta que o incentivo público à renovação de frota está movimentando os dois mercados ao mesmo tempo: quem troca o caminhão velho por um novo injeta o usado de volta na cadeia, ampliando a oferta e sustentando o volume de negociações. Esse ciclo tende a se manter enquanto o programa estiver ativo, mas a queda de 3,3% na comparação com julho de 2025 lembra que o mercado ainda não superou o patamar do ano passado.

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