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Carga de R$ 2,5 milhões em placas RTX 5090 desaparece no Aeroporto de Guarulhos
Logística

Imagem: NVIDIA

Carga de R$ 2,5 milhões em placas RTX 5090 desaparece no Aeroporto de Guarulhos

19/10/2026 · 822 palavras

Dois pallets pertencentes ao Grupo Oderço não foram localizados após liberação da mercadoria; concessionária acionou autoridades e orientou importador a iniciar processo de indenização

Uma carga avaliada em cerca de R$ 2,5 milhões, formada por dois pallets de placas de vídeo GeForce RTX 5090 da Zotac, desapareceu no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, após chegar ao Brasil em setembro. A mercadoria, pertencente ao Grupo Oderço, foi liberada pela Receita Federal, mas não chegou a ser disponibilizada à distribuidora. Sem uma explicação conclusiva sobre o paradeiro dos equipamentos, a empresa tornou o caso público, enquanto a GRU Airport informou que comunicou a ocorrência às autoridades e iniciou os procedimentos para uma possível indenização.

A carga chegou ao Brasil em 20 de setembro e teve a Declaração de Trânsito Aduaneiro (DTA) registrada quatro dias depois, segundo informações fornecidas pela Oderço ao UOL. A Receita Federal aprovou o documento e liberou a mercadoria em 25 de setembro, mas os pallets não foram disponibilizados para retirada. Em 6 de outubro, a concessionária teria indicado à empresa um piso específico do terminal onde os produtos estariam armazenados. Oito dias depois, em 14 de outubro, informou que a carga não havia sido localizada.

O episódio foi levado a público por Oderço Matos, presidente da distribuidora. Segundo o Times Brasil/CNBC, o executivo afirmou que a empresa trabalha com importações desde 2008 e nunca havia enfrentado uma ocorrência semelhante em seus mais de 38 anos de história. O valor de R$ 2,5 milhões corresponde ao preço de custo estimado dos equipamentos, conforme informado pela companhia.

Até o momento, não há uma explicação pública sobre como os dois pallets deixaram de ser localizados nem sobre eventual responsabilidade pelo desaparecimento. Por isso, embora a empresa trate o caso como sumiço da mercadoria, não há elementos divulgados que permitam classificá-lo como furto ou roubo.

A GRU Airport afirma que tenta solucionar o caso desde que tomou conhecimento da não localização da carga. Em posicionamento publicado pelo Adrenaline, a concessionária informou que a ocorrência foi formalmente comunicada às autoridades competentes e que sua equipe mantém contato com o representante do importador. Em 14 de outubro, diante do período transcorrido, também foram repassadas as orientações necessárias para iniciar o processo de indenização. A concessionária aguarda a documentação do cliente para analisar e concluir o procedimento e informou que seu departamento jurídico prestará suporte ao caso.

Além do valor total da carga, o tipo de equipamento envolvido chama atenção. A GeForce RTX 5090 ocupa o topo da linha de placas GeForce da Nvidia e utiliza a arquitetura Blackwell. De acordo com as especificações oficiais da Nvidia, o modelo possui 32 GB de memória GDDR7, 21.760 núcleos CUDA e recursos voltados a processamento de inteligência artificial e ray tracing, além de suporte à tecnologia DLSS 4.

O equipamento é direcionado não apenas a jogos de alto desempenho, mas também a criação de conteúdo e cargas de trabalho que utilizam inteligência artificial. A própria fabricante apresenta a RTX 5090 como sua GPU GeForce mais potente e destaca a capacidade do modelo para lidar com aplicações avançadas de IA.

Enquanto as circunstâncias do desaparecimento permanecem sem esclarecimento público, o Grupo Oderço continua buscando respostas sobre o destino da mercadoria. A GRU Airport, por sua vez, mantém o procedimento de indenização aberto e aguarda os documentos necessários para avançar na análise, enquanto o caso segue comunicado às autoridades competentes.

FUP Explica

O caso expõe uma vulnerabilidade séria na cadeia de custódia de cargas de alto valor em aeroportos brasileiros. Uma carga de R$ 2,5 milhões pode simplesmente deixar de ser localizada dentro de um terminal sem que, até agora, haja explicação sobre em qual etapa da operação isso ocorreu, o que levanta dúvidas tanto sobre os controles internos da concessionária quanto sobre a fiscalização das autoridades competentes. Para a Oderço, o prejuízo imediato é financeiro, mas o dano à operação vai além: a empresa importa desde 2008 e nunca havia enfrentado situação semelhante, o que sugere que o episódio é atípico e pode indicar falha pontual ou ação deliberada de terceiros.

Do ponto de vista jurídico e institucional, a abertura do processo de indenização pela GRU Airport reconhece, na prática, que a mercadoria estava sob responsabilidade do terminal quando desapareceu. Isso tende a fortalecer a posição da distribuidora numa eventual disputa, mas o desfecho depende da documentação que o importador apresentar e da conclusão das investigações pelas autoridades. A participação do departamento jurídico da concessionária no processo é um sinal de que a empresa antecipa algum grau de responsabilização.

No plano mais amplo, o episódio chama atenção para o risco específico de importações de produtos de alto valor unitário e demanda reprimida, como as RTX 5090, que chegam a ser anunciadas por R$ 50 mil a unidade no varejo. Esse perfil de mercadoria atrai interesse de quem opera fora da lei, e a escassez do produto no mercado torna o sumiço ainda mais sensível para o setor de distribuição de tecnologia.