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ANTT avança com sistema que pesa caminhões em movimento nas rodovias de Goiás
Logística

ANTT avança com sistema que pesa caminhões em movimento nas rodovias de Goiás

12/08/2026·474 palavras
ANTT autoriza estudos para sistema de pesagem dinâmica de veículos. Inovação em fiscalização rodoviária com potencial impacto em eficiência de transporte de cargas.

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) autorizou a concessionária Rota Verde Goiás a desenvolver estudos para implantar um sistema de pesagem dinâmica de veículos pesados em sua malha rodoviária. A autorização foi formalizada pela Decisão Surod nº 971, de 31 de julho de 2026, e representa um passo na modernização da fiscalização de peso em rodovias federais concedidas no estado.

O sistema é baseado na tecnologia HS-WIM (High Speed Weigh-in-Motion), que utiliza sensores instalados diretamente no pavimento para medir as cargas por eixo e o peso bruto total dos veículos enquanto eles trafegam normalmente, sem reduzir a velocidade nem desviar para uma balança convencional. O projeto também prevê câmeras com reconhecimento óptico de caracteres (OCR) para identificação dos veículos, segundo o Transporte Moderno.

A ANTT determinou que os equipamentos atendam à classe de exatidão 1A do Inmetro, requisito necessário para que as medições possam ser usadas na fiscalização do excesso de peso. O projeto deverá considerar a velocidade operacional de cada trecho da concessão.

A partir da data da autorização, a Rota Verde Goiás tem 180 dias para entregar à ANTT um estudo de localização dos equipamentos, o projeto executivo de engenharia e um orçamento certificado. A implantação efetiva depende da análise e aprovação desses documentos pela agência, ou seja, a autorização dos estudos não garante por si só a instalação do sistema.

Como a tecnologia HS-WIM não estava prevista originalmente no contrato da concessão, a ANTT reconheceu o direito da Rota Verde Goiás à recomposição do equilíbrio econômico-financeiro do contrato. A definição dos valores, no entanto, ficará condicionada à aprovação do projeto e do orçamento.

Precedente já em operação no país

Goiás não será o primeiro estado a contar com esse tipo de sistema. A ANTT inaugurou em 16 de agosto a primeira balança de pesagem em movimento do país, instalada no quilômetro 640 da BR-365, em Uberlândia (MG), onde cerca de 5 mil veículos passam diariamente, segundo a própria agência. A operação é da Ecovias do Cerrado, e a pesagem ocorre de forma automática e instantânea, sem que o motorista precise reduzir a velocidade.

Um segundo ponto de pesagem em movimento está previsto para entrar em operação em setembro, no quilômetro 107 da BR-364, em Cachoeira Alta (GO), também operado pela Ecovias do Cerrado.

Segundo a agência, a tecnologia permite fiscalizar 100% dos veículos que passam pelo ponto, eliminando a possibilidade de evasão da fiscalização. O diretor da ANTT Guilherme Theo Sampaio afirmou que o projeto traz "vários ganhos ao usuário, como a redução de filas, da desaceleração, do consumo de combustíveis e de práticas anticompetitivas no mercado", além de "mais segurança e fluidez".

Os novos pontos de pesagem também têm custo de implantação três vezes menor do que o das praças de pesagem convencionais e causam menos danos ambientais aos locais onde são instalados, de acordo com a ANTT.

FUP Explica

A pesagem dinâmica muda a lógica da fiscalização de peso nas rodovias porque elimina o gargalo das balanças convencionais, que dependem de o caminhão parar ou pelo menos desacelerar, e isso abre espaço para evasão. Com 100% dos veículos fiscalizados em movimento, a tendência é que o excesso de carga, que deteriora o pavimento e aumenta o risco de acidentes, seja coibido com mais eficiência do que o modelo atual permite.

Para o setor de transporte rodoviário de cargas, o impacto é duplo. Por um lado, transportadoras que operam dentro dos limites legais ganham com a redução de filas e o fim das paradas nas balanças, o que melhora a previsibilidade do tempo de entrega. Por outro, quem opera com sobrecarga como prática corrente passa a ter menos margem de manobra, o que pode pressionar custos operacionais de parte do setor a curto prazo.

No plano regulatório, o caso da Rota Verde Goiás também chama atenção pelo reconhecimento do reequilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão. Isso sinaliza que a ANTT está disposta a incorporar tecnologias não previstas originalmente nos contratos, mas que o custo dessa modernização tende a ser negociado caso a caso, com impacto potencial sobre as tarifas ou sobre o prazo da concessão. O processo ainda depende da aprovação do projeto e do orçamento pela agência, então o desfecho concreto para Goiás está longe de estar definido.

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