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ANTT avança com sistema que pesa caminhões em movimento nas rodovias de Goiás
ANTT autoriza estudos para sistema de pesagem dinâmica de veículos. Inovação em fiscalização rodoviária com potencial impacto em eficiência de transporte de cargas.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) autorizou a concessionária Rota Verde Goiás a desenvolver estudos para implantar um sistema de pesagem dinâmica de veículos pesados em sua malha rodoviária. A autorização foi formalizada pela Decisão Surod nº 971, de 31 de julho de 2026, e representa um passo na modernização da fiscalização de peso em rodovias federais concedidas no estado.
O sistema é baseado na tecnologia HS-WIM (High Speed Weigh-in-Motion), que utiliza sensores instalados diretamente no pavimento para medir as cargas por eixo e o peso bruto total dos veículos enquanto eles trafegam normalmente, sem reduzir a velocidade nem desviar para uma balança convencional. O projeto também prevê câmeras com reconhecimento óptico de caracteres (OCR) para identificação dos veículos, segundo o Transporte Moderno.
A ANTT determinou que os equipamentos atendam à classe de exatidão 1A do Inmetro, requisito necessário para que as medições possam ser usadas na fiscalização do excesso de peso. O projeto deverá considerar a velocidade operacional de cada trecho da concessão.
A partir da data da autorização, a Rota Verde Goiás tem 180 dias para entregar à ANTT um estudo de localização dos equipamentos, o projeto executivo de engenharia e um orçamento certificado. A implantação efetiva depende da análise e aprovação desses documentos pela agência, ou seja, a autorização dos estudos não garante por si só a instalação do sistema.
Como a tecnologia HS-WIM não estava prevista originalmente no contrato da concessão, a ANTT reconheceu o direito da Rota Verde Goiás à recomposição do equilíbrio econômico-financeiro do contrato. A definição dos valores, no entanto, ficará condicionada à aprovação do projeto e do orçamento.
Precedente já em operação no país
Goiás não será o primeiro estado a contar com esse tipo de sistema. A ANTT inaugurou em 16 de agosto a primeira balança de pesagem em movimento do país, instalada no quilômetro 640 da BR-365, em Uberlândia (MG), onde cerca de 5 mil veículos passam diariamente, segundo a própria agência. A operação é da Ecovias do Cerrado, e a pesagem ocorre de forma automática e instantânea, sem que o motorista precise reduzir a velocidade.
Um segundo ponto de pesagem em movimento está previsto para entrar em operação em setembro, no quilômetro 107 da BR-364, em Cachoeira Alta (GO), também operado pela Ecovias do Cerrado.
Segundo a agência, a tecnologia permite fiscalizar 100% dos veículos que passam pelo ponto, eliminando a possibilidade de evasão da fiscalização. O diretor da ANTT Guilherme Theo Sampaio afirmou que o projeto traz "vários ganhos ao usuário, como a redução de filas, da desaceleração, do consumo de combustíveis e de práticas anticompetitivas no mercado", além de "mais segurança e fluidez".
Os novos pontos de pesagem também têm custo de implantação três vezes menor do que o das praças de pesagem convencionais e causam menos danos ambientais aos locais onde são instalados, de acordo com a ANTT.
FUP Explica
A pesagem dinâmica muda a lógica da fiscalização de peso nas rodovias porque elimina o gargalo das balanças convencionais, que dependem de o caminhão parar ou pelo menos desacelerar, e isso abre espaço para evasão. Com 100% dos veículos fiscalizados em movimento, a tendência é que o excesso de carga, que deteriora o pavimento e aumenta o risco de acidentes, seja coibido com mais eficiência do que o modelo atual permite.
Para o setor de transporte rodoviário de cargas, o impacto é duplo. Por um lado, transportadoras que operam dentro dos limites legais ganham com a redução de filas e o fim das paradas nas balanças, o que melhora a previsibilidade do tempo de entrega. Por outro, quem opera com sobrecarga como prática corrente passa a ter menos margem de manobra, o que pode pressionar custos operacionais de parte do setor a curto prazo.
No plano regulatório, o caso da Rota Verde Goiás também chama atenção pelo reconhecimento do reequilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão. Isso sinaliza que a ANTT está disposta a incorporar tecnologias não previstas originalmente nos contratos, mas que o custo dessa modernização tende a ser negociado caso a caso, com impacto potencial sobre as tarifas ou sobre o prazo da concessão. O processo ainda depende da aprovação do projeto e do orçamento pela agência, então o desfecho concreto para Goiás está longe de estar definido.





