Conflitos

Estreito de Ormuz: tráfego de petroleros cai a quase zero

Portal Portuário – Internacional·09/07/2026·551 palavras
Bloqueio de navegação de petroleros no Estreito de Ormuz impacta rotas marítimas globais e afeta custos de frete e energia para exportadores/importadores brasileiros.

O tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz praticamente cessou nas últimas 24 horas, segundo dados de rastreamento marítimo da Kpler e da LSEG. A paralisação ocorre em meio à nova escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, após três navios petroleiros serem atacados no estreito nesta semana, incidentes pelos quais Washington responsabilizou Teerã.

Estreito de Ormuz quase paralisado: o que os dados mostram

Antes do início do conflito, o Estreito de Ormuz respondia por cerca de um quinto do suprimento mundial de petróleo, com média de 125 a 140 navegações diárias. Nas duas semanas anteriores à nova escalada, o tráfego havia atingido seu pico desde o início da crise, com 40 navios por dia, ainda bem abaixo do nível histórico. Agora, esse número despencou para praticamente zero.

Em 9 de julho, apenas dois navios foram identificados cruzando o estreito: o superpetroleiro Berg 1, carregado na ilha iraniana de Jarg e sujeito a sanções americanas, e o navio de produtos químicos Well Sail, com bandeira das Ilhas Marshall. Um agravante operacional relevante é que embarcações estão progressivamente desligando seus transponders AIS públicos, dificultando o monitoramento real do tráfego na região.

O metaneiro qatarí Al Rekayyat, um dos três navios atingidos esta semana, permanece à deriva aguardando salvamento ao largo de Omã após incêndio na sala de máquinas causado por um projétil. No entanto, o registro marítimo das Ilhas Marshall informou que não há feridos nem impactos ambientais reportados até o momento.

Fretes, seguros e prazos: o impacto direto no comex brasileiro

Os efeitos já eram visíveis antes desta nova paralisação. O custo de afretamento de petroleros do tipo VLCC no Golfo Pérsico havia saltado de USD 106.500 para USD 190.500 por dia em menos de uma semana — alta de 79% — em razão das tensões anteriores. Com a quase total interrupção do tráfego, a tendência é de nova pressão altista sobre os fretes, com reflexos diretos nos custos de importação de petróleo, derivados, produtos químicos e GNL.

No campo dos seguros, algumas seguradoras de riscos de guerra estão aconselhando companhias navieras a pausar viagens pelo estreito. Outras estão revisando as condições de suas apólices após os novos ataques. Para importadores e exportadores brasileiros, isso significa aumento nos prêmios de seguro para cargas em rotas que passem pelo Golfo Pérsico, possível recusa de cobertura para determinadas rotas ou tipos de carga e necessidade de revisão contratual em acordos com cláusulas de risco de guerra.

Rotas alternativas e planejamento de estoques

A paralisação força armadores a avaliar rotas alternativas mais longas, com impacto direto nos prazos de entrega de petróleo bruto, GNL, produtos químicos e derivados. A disponibilidade de tonelagem no mercado spot global também tende a cair, pressionando ainda mais os fretes. Para importadores brasileiros de insumos petroquímicos, o planejamento de estoques passa a ser uma variável crítica.

Vale lembrar que o Estreito de Ormuz já havia sido palco de retenção de frotas inteiras durante este conflitom incluindo embarcações japonesas que permaneceram retidas por três a quatro meses. A frota liderada pela Mitsui O.S.K. Lines havia iniciado saída do Golfo em julho de 2025, sinalizando uma reabertura gradual que agora volta a ser ameaçada. O cenário reforça a necessidade de monitoramento contínuo e revisão de contratos de fornecimento com cláusulas de force majeure e risco de guerra.

FUP Explica

O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial, praticamente parou de operar depois de novos ataques a petroleiros nesta semana. Os fretes já tinham subido 79% antes disso, e agora a tendência é piorar ainda mais. Se você importa petróleo, derivados, produtos químicos ou GNL com origem no Golfo Pérsico, vale acionar sua seguradora agora para checar se a cobertura ainda vale para essa rota. Também é hora de revisar contratos com cláusulas de force majeure e, se possível, antecipar estoques de insumos petroquímicos antes que os prazos de entrega alonguem ainda mais.

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